Vitamina C: como mata as células cancerígenas?Notícias de Saúde

Quinta, 12 de Janeiro de 2017 | 89 Visualizações

Fonte de imagem: Huffingtonpost

Investigadores americanos descobriram como doses elevadas de vitamina C são capazes de mantar as células cancerígenas, dá conta um estudo publicado na revista “Redox Biology”.
 
A maioria das terapias com vitamina C envolve a toma da substância oralmente. Contudo, neste estudo os investigadores da Universidade de Iowa, nos EUA, constataram que a administração intravenosa da vitamina C, que passa à margem do metabolismo do intestino e das vias de excreção, produz níveis 100 a 500 vezes mais elevados que a toma oral. Segundo os cientistas, a presença destas doses super elevadas no sangue é crucial para que a vitamina C seja capaz de atacar as células cancerígenas.
 
Estudos in vitro e in vivo anteriores conduzidos pela mesma equipa de investigadores já tinham apurado que estas doses extremamente elevadas, na ordem dos milimolares, de vitamina C matavam seletivamente as células cancerígenas, mas não as células saudáveis.
 
Atualmente os médicos dos hospitais da Universidade de Iowa estão a testar esta abordagem em ensaios clínicos para cancro de pâncreas e pulmão, que combina a dose elevada de vitamina C intravenosa com a quimioterapia padrão ou radioterapia. A fase 1 dos ensaios clínicos indicaram que o tratamento é seguro e bem tolerado, melhorando os resultados dos pacientes. Atualmente estão a ser realizados ensaios de maiores dimensões com o intuito de avaliar se o tratamento aumenta a sobrevivência dos pacientes.
 
Neste estudo os investigadores, liderados por Garry Buettner, decidiram se concentrar na forma como as doses elevadas de vitamina C, também conhecida como ascorbato, matava as células cancerígenas.
 
O estudo apurou que quando oxidada, a vitamina C produzia peróxido de hidrogénio, uma espécie reativa de oxigénio que danifica o ADN e os tecidos. Os investigadores também constataram que as células tumorais apresentavam, comparativamente com as células saudáveis, uma menor capacidade de remover o peróxido de hidrogénio.
 
O investigador explica que as células tumorais são assim mais propensas aos danos e morte decorrente da presença de doses elevadas de vitamina C. Estes achados explicam por que motivo a presença de doses muitos elevadas desta vitamina não afeta os tecidos saudáveis, mas são capazes de danificar o tecido tumoral.
 
As células saudáveis têm várias formas de remover o peróxido de hidrogénio, mantendo-o em níveis muito baixos de modo a que não causem danos. O estudo demonstrou que a enzima catalase é a via utilizada para remover o peróxido de hidrogénio. Os investigadores demonstraram que as células com menor atividade da catalase eram mais suscetíveis aos danos e morte quando expostas a quantidades elevadas de vitamina C.
 
De acordo com Garry Buettner, estes achados podem ajudar a determinar que cancros e que terapias podem ser melhorados através da inclusão de elevadas doses de ascorbato no tratamento.
 
O investigador conclui que estes resultados sugerem que os cancros com níveis baixos de catalase são os mais propensos a responder à terapia com doses elevadas de vitamina C.

 

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