Vírus da gripe modificado inibe desenvolvimento do cancro do pâncreasNotícias de Saúde

Sexta, 26 de Janeiro de 2018 | 24 Visualizações

Fonte de imagem: veja.abril

Um vírus da gripe foi modificado por cientistas no Reino Unido para inibir o desenvolvimento do cancro do pâncreas, de acordo com um estudo da Universidade Queen Mary, de Londres.

A nova técnica tem potencial para ser usada no tratamento de doentes com esta forma agressiva de cancro, considera a equipa liderada por Gunnel Halldén acerca da investigação relatada no boletim Molecular Cancer Therapeutics. 

«Mostrámos pela primeira vez que os cancros pancreáticos podem ser combatidos especificamente com uma forma modificada do vírus da gripe comum», afirmou a primeira autora do estudo, Stella Man, citada pela "Lusa".

Os investigadores modificaram o vírus para este infetar e matar células cancerosas sem causar danos colaterais no tecido saudável, e conseguiram criar um método para o libertar na corrente sanguínea e atacar células de tumores em outras partes do corpo. 

«Se conseguirmos confirmar estes resultados em testes clínicos com humanos, este poderá ser um novo tratamento promissor para os doentes de cancro do pâncreas, combinado com a quimioterapia existente para destruir células cancerosas persistentes», afirmou Man.

O cancro do pâncreas desenvolve-se rapidamente, costuma ser diagnosticado demasiado tarde e é resistente às terapias atuais, pelo que a sua taxa de mortalidade é alta.

O vírus da gripe é modificado para conter na sua camada exterior uma proteína suplementar que reconhece e se liga a moléculas específicas presentes no cancro do pâncreas.

Quando entra na célula cancerosa, o vírus replica-se tantas vezes que acaba por rebentar a célula, destruindo-a. Essas réplicas do vírus espalham-se na área circundante e repetem o processo em outras células doentes.

Este processo foi testado em células humanas de cancro pancreático enxertadas em ratos, conseguindo inibir o espalhar da doença.

Gunnel Halldén indicou que a equipa está «à procura de novo financiamento para progredir para testes clínicos num prazo de dois anos».

«Assim que conseguirmos esse financiamento, demorará cerca de cinco anos a determinar se o tratamento é seguro e eficaz», acrescentou.

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