Vacina para os problemas de comportamento?Notícias de Saúde

Quarta, 13 de Maio de 2015 | 52 Visualizações

E se houvesse uma "vacina" para reduzir o risco de perturbações de comportamento? Já há. Não é uma vacina mas é um projeto que promove a ‘parentalidade positiva’ e que tem vindo a apresentar resultados muito “positivos”, como considera Filomena Gaspar, uma das investigadoras que irá desenvolver o projeto em Portugal.

O programa ‘Anos Incríveis’, aplicado há 40 anos nos Estados Unidos da América e replicado noutros países vai chegar a Portugal. Filomena Gaspar e Maria João Seabra Santos, investigadoras da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, obtiveram financiamento europeu no valor de 295 mil euros para aplicar o programa no distrito.

O programa será aplicado em 60 jardins-de-infância e alguns centros de saúde do distrito de Coimbra. Crianças em desvantagem social e económica serão prioritárias. Os pais também serão envolvidos no programa.

Entre os três e os seis anos cerca de 5% das crianças apresentam sintomas clínicos de perturbações de comportamento. Nas famílias com problemas sociais e económicos a percentagem dispara para os 20%, com a agravante de ser muito provável que se venham a traduzir em problemas sérios, como recorda o Público de hoje.

Como nos vários países onde o programa foi aplicado, também em Portugal, como defendem as investigadoras responsáveis pelo projeto em Coimbra, é possível obter melhorias comportamentais promovendo aquilo a que se chama a ‘parentalidade positiva’. Isto pode traduzir-se, na prática, na aplicação de forma consistente e persistente, como explica Filomena Gaspar, de estratégias de educação que promovem os bons comportamentos e desincentivam as atitudes de oposição, de desafio e de agressividade das crianças.

Estas estratégias passam, entre outros, por dedicar dez minutos de “atenção positiva” às crianças, por dia e todos os dias. Neste dez minutos os pais não estão a fazer perguntas nem a ensinar mas sim a escutar os filhos e a brincar segundo as suas regras e ao seu ritmo. Esta medida “impede que elas ajam da forma que é mais frequente: tentando conquistar essa atenção [dos pais] com birras e desafiando a autoridade dos pais”, nota Filomena Gaspar.

Depois de uma série de outras estratégias que visam evitar que a criança teime em tornar-se o centro das atenções dos pais, e também dos educadores de infância, pelos maus motivos serão reforçados os comportamentos positivos, através do elogio. “Uma criança normalmente inquieta perceberá melhor o que se espera dela se os pais a elogiarem por estar algum tempo sossegada a desenhar”, exemplifica a investigadora.

Neste plano de formação 'Anos Incríveis' os adultos aprendem, ainda, que devem evitar os castigos. A estratégia correta é dar às crianças a oportunidade de escolha, tempo para refletir e, depois, aplicar as consequências com firmeza, se elas optarem pelo comportamento negativo. No caso das birras, a regra é ignorar.

A investigadora realça que o programa “não é uma vacina milagrosa”, “mas tem resultados francamente positivos” que, segundo os estudos em seguimento, se mantêm ao longo dos anos e têm reflexos diretos no comportamento e indiretos em diversas áreas importantes como, por exemplo, o sucesso escolar. 

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