Um em cada dez portugueses sofre de ansiedadeNotícias de Saúde

Terça, 06 de Outubro de 2015 | 30 Visualizações

Fonte de imagem: loungeempreendedor

A ansiedade é a doença mental mais prevalente na população portuguesa, afetando 16,5 por cento das pessoas, segundo um estudo epidemiológico nacional da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.

Trata-se de uma reação normal do nosso organismo, ativada em situações que podem provocar medo, dúvida ou expectativa. Apesar de natural, deve ser uma situação passageira. Quando a ansiedade se torna crónica passa a ser considerada uma doença mental.

Portugal é um dos países da Europa em que maior percentagem da população sofre de patologias do espectro da ansiedade. Esta patologia pode manifestar-se de inúmeras formas e muitas das suas manifestações inteferem de forma grave com a qualidade de vida.

“Quando a ansiedade atinge níveis de grande intensidade significa que a pessoa está doente, interferindo de forma definitiva na vida quer na esfera emocional e familiar, quer na esfera profissional e social”, explica Filipa Palha, psicóloga e presidente da Associação Encontrar+se. “Estas alterações prolongadas de comportamento significam que a pessoa está doente e precisa de ser tratada”, refere a especialista.

Sintomas físicos

As perturbações de ansiedade podem ter sintomas físicos, como taquicardia, dores no peito e dificuldade em respirar, levando o doente a ter comporamentos hipocondríacos, levar a insegurança na execução de tarefas rotineiras,  ou pode manifestar-se em resposta a um estímulo em específico, como é o caso das fobias.

António Pacheco Palha, psiquiatra e membro da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, explica que “as fobias, patologia ansiosa frequente, fazem com que as pessoas fujam de determinado estímulo. Elas não estão doentes, não apresentam qualquer queixa se deixarem de enfrentar os estímulos com comportamentos de evitamento, mas o facto é que têm uma qualidade de vida diminuída, por não serem livres de fazerem tudo o que querem”.

O especialista refere ainda que “estas formas de manifestação de ansiedade são muito prevalentes na população. As pessoas consideram que se trata de ‘manias’, de ‘medos’, e pensam que não se podem tratar, o que é uma pena, porque são situações que podem ser resolvidas”.

Há ainda outra perturbação do espectro da ansiedade que é grave: o pânico. “Esta é uma condição que assusta muito o indivíduo. Caracteriza-se por intensa aflição e por uma instabilidade muito grande, tanto pela componente física, como pela psicológica, que faz com que se sintam em risco e corram para a urgência hospitalar”, afirma o psiquiatra António Pacheco Palha, frisando que quanto mais precocemente se tratar estes casos melhor.

É importante que se diga que as perturbações de ansiedade são tratáveis. O tipo e tempo de tratamento varia de caso para caso, mas geralmente as perturbações de ansiedade são tratadas com uma combinação de terapia, medicamentos e outros tratamentos psicológicos complementares ou, até, alternativos. A presidente da associação “Encontrar+se” realça também a importância de tratar estas perturbações de forma precoce e de procurar ajuda profissional sempre que a ansiedade se manifeste de forma prolongada e interfira de forma grave nas rotinas.

Em Portugal, é nos mais jovens, entre os 18 e os 34 anos,  que se verifica uma maior prevalência de doença mental estimando-se que 50.1% tenham pelo menos uma perturbação psiquiátrica. Neste grupo etário, as entidades mais referidas foram as perturbações da ansiedade, seguidas das afetivas e do abuso de álcool. Grande parte da percentagem de perturbações de ansiedade é à custa das chamadas “fobias específicas” habitualmente associadas a um menor impacto no funcionamento global.

Partilhar esta notícia
Referência

Notícias Relacionadas

Info-Saúde Relacionados