UAveiro faz bolachas e bombons de medronhoNotícias de Saúde

Terça, 02 de Dezembro de 2014 | 75 Visualizações

Tem propriedades antioxidantes, combate o colesterol e reforça a saúde da pele e dos ossos. Estas são apenas algumas das propriedades descobertas no medronho pela Universidade de Aveiro, está a desenvolver novas forma de consumo deste fruto, habitualmente associado a bebidas alcoolicas.

Os investigadores foram desafiados pela Cooperativa Portuguesa de Medronho: colocar o fruto na roda alimentar dos portugueses. O trabalho desenvolvido pelo Departamento de Química (DQ) e pelo Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO) da UA, já resultou na incorporação da polpa do medronho em vários alimentos comuns: biscoitos, iogurtes, barras energéticas e bombons. 

Agora, a equipa de químicos de Aveiro quer trabalhar no sentido de isolar os compostos do fruto que mais benefíciam a saúde humana com o objetivo de adicionar estes compostos a outros alimentos. 
 
A caracterização química detalhada do medronho realizada pelos investigadores da UA destaca a presença de ácidos gordos insaturados (nomeadamente ómega 3 e 6), bem como fitoesteróis e triterpenóides, compostos com importante atividade biológica. “Os ómegas 3 e 6 são ácidos gordos essenciais que têm de ser obtidos a partir da dieta uma vez que o nosso organismo não os sintetiza”, explica Sílvia Rocha num comunicado enviado ao Boas Notícias.

A investigadora, juntamente com os investigadores Armando Silvestre, do CICECO, e a aluna de Mestrado Daniela Fonseca, lembra que esses compostos “têm demonstrado um papel importante no controlo dos níveis de colesterol, na saúde da pele e dos ossos e uma relação inversa entre o consumo de ómega 3 e a perda de funções cognitivas”. 
 
Da mesma forma, os esteróis, aponta Sílvia Rocha, “têm um importante papel na saúde uma vez que contribuem regular o nível de colesterol”. E os triterpenóides, para além de ajudarem igualmente a controlar o colesterol, têm uma ação anti-inflamatória, antimicrobiana e antifúngica. Assim, sublinha, “a presença destes compostos com atividade biológica reconhecida contribui para a valorização do consumo do medronho”.

 

Os investigadores Sílvia Rocha, Armando Silvestre e Daniela Fonseca com um frasco dos frutos que estão a estudar

Potencialidades antioxidantes 
 
Os resultados do estudo desenvolvido mostram ainda que os medronhos da Serra da Beira, que os investigadores têm usado no trabalho, “apresentam uma atividade antioxidante superior à de frutos de outras proveniências, tanto de Portugal como de outros países europeus”. 
 
“A atividade antioxidante reflete a capacidade de evitar a formação de radicais livres, substâncias que, quando produzidas em excesso no organismo são responsáveis pelo stress oxidativo, conhecido por provocar danos no organismo humano, os quais estão associado ao envelhecimento e aumento da suscetibilidade a diversas doenças, nomeadamente as doenças civilizacionais emergentes”, aponta Sílvia Rocha.
 
Os investigadores do QOPNA e do CICECO lembram que não é comum encontrar medronhos frescos no mercado. “Este fruto é muito perecível e, quando colhido maduro da planta, apresenta um teor alcoólico que tem uma conotação negativa junto da população”, destaca Sílvia Rocha.

Para contrariar o cenário, os químicos da UA já definiram as condições ideiais para a recolha e o armazenamento do fruto no sentido de incrementar respetivo consumo ao natural. 
 
Dia 03 de Dezembro, às 16h30, na sala do Senado da Reitoria, a equipa vai apresentar aos convidados uma coleção de alimentos que tem o fruto na lista de ingredientes. Todos os que estiverem presentes terão oportunidade de ver e provar o sabor deste precioso ingrediente.   

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Referência
Universidade de Aveiro