Transplantes hepáticos de dadores vivos são segurosNotícias de Saúde

Quinta, 19 de Março de 2015 | 76 Visualizações

A insuficiência hepática aguda − uma doença grave que causa a destruição do fígado − resulta em coma e morte em mais de 80% dos casos. O único tratamento eficaz passa pelo transplante de fígado, mas muitas vezes não há tempo suficiente para aguardar por um dador morto compatível.
 
Um novo estudo veio revelar que o transplante hepático de dador vivo (THDV) pode ser seguro e permite que os doentes com insuficiência hepática aguda sejam transplantados antes que a sua condição piore.
 
Os estudos realizados até ao momento não se debruçavam sobre a questão da segurança deste procedimento para os pacientes e para os dadores que têm de passar por exames de última hora para confirmar a compatibilidade. Ao longo do tempo, têm também sido levantadas questões éticas. Os investigadores questionam-se se as pessoas, quando são confrontadas com a possibilidade de um ente querido vir a morrer, estão em condições de tomar decisões sobre a possibilidade de serem dadores, ainda que também assumam que não parece correto negar a alguém a oportunidade de vir a salvar um familiar.
 
O médico Markus Selzner, que faz parte do Programa de Transplante Múltiplo de Órgãos, no Hospital Geral de Toronto, no Canadá, e os seus colegas têm documentado a sua experiência no tratamento da insuficiência hepática aguda com recurso ao transplante hepático de dador vivo.
 
Entre 2006 e 2013, sete pacientes com insuficiência hepática aguda foram submetidos a THDV e 26 pacientes realizaram um transplante hepático de dador morto. Os resultados foram comparados.
 
No caso do THDV, o primeiro aspeto positivo a salientar é o facto de o transplante de fígado ter ocorrido entre 18 a 72 horas após a avaliação do dador vivo ter sido iniciada.
 
Os resultados mostraram que ambos os procedimentos tiveram uma incidência semelhante de complicações pós-operatórias (31% e 43%), e que não foram detetadas diferenças no que diz respeito às taxas de sobrevivência a um, três e cinco anos após o transplante. Não houve também registo de quaisquer complicações graves na sequência de um THDV.
 
Markus Selzner realça que o tempo que um doente espera por um transplante é decisivo, pois a insuficiência hepática aguda pode agravar-se em horas e o doente pode rapidamente ficar em coma ou morrer. Portanto, se existir um dador vivo compatível, o transplante pode ser realizado em tempo útil, reduzindo drasticamente o risco de morte ou de lesões permanentes no doente.
 
Os investigadores, contudo, referem que serão necessários mais estudos. 

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Referência
Estudo publicado no “American Journal of Transplantation”

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