Todos os meses, 22% das portuguesas esquece-se de tomar a pílulaNotícias de Saúde

Quinta, 24 de Novembro de 2016 | 22 Visualizações

Fonte de imagem: Sempre mais saudável

E, das mulheres que se esquecem, 38% refere que não faz absolutamente nada para evitar uma gravidez.

A grande maioria das portuguesas em idade fértil (94,1%) utiliza um método contracetivo para evitar uma gravidez não desejada. Este dado coloca Portugal numa das posições cimeiras da tabela europeia no que respeita à taxa de utilização de métodos contracetivos regulares nas mulheres em idade fértil.

Mas, segundo a ‘Avaliação das Práticas Contracetivas das Mulheres em Portugal’, desenvolvida pela Sociedade Portuguesa da Contracepção e pela Sociedade Portuguesa de Ginecologia em 2015, apesar da maioria das mulheres (58%) utilizar pílula como contracetivo regular, cerca de 22% destas admitem que se esquecem de tomar a pílula todos os ciclos ou mais de uma vez por mês. E, das mulheres que se esquecem, 38% refere que não faz absolutamente nada para evitar uma gravidez.

Em comunicado enviado às redações, a HRA Pharma, explica que quando se analisa a utilização do preservativo, os dados são semelhantes. De acordo com o relatório português do estudo ‘Health Behaviour in School-aged Children 2014’, coordenado internacionalmente pela Organização Mundial de Saúde, 21,6% dos jovens portugueses afirmam não ter utilizado preservativo na primeira relação sexual e 20,3% na última relação sexual.

As justificações passam por: não ter pensado nisso, não ter o preservativo consigo, o facto de ser um método caro ou de estarem alcoolizados no momento do ato.

Um outro estudo, desenvolvido por uma marca de preservativos, aponta que cerca de40% dos jovens sexualmente ativos na faixa etária dos 16 aos 24 anos afirmou ter relações sexuais com mais do que uma pessoa sem preservativo e 61% não costuma sequer pensar em preservativos até ao momento em que precisa de um.

Para Teresa Bombas, médica especialista em ginecologia e obstetrícia e presidente da Sociedade Portuguesa da Contracepção (SPDC), “a utilização inconsistente dos métodos contracetivos é arriscada e deve ser evitada”.

Destaca que “os jovens têm um índice de fertilidade muito elevado e têm a ideia de que se encontram protegidos, mas é uma falsa perceção, a possibilidade de uma gravidez não planeada ou de uma doença sexualmente transmissível, essa sim, é muito real”.

Por isso, é essencial que se faça um uso correto da contraceção, a única forma de reduzir o risco de falha do método.

A especialista diz que também é importante “consciencializar que, caso haja uma falha, existe ainda a possibilidade de fazer contraceção de emergência, para evitar uma gravidez não desejada e o recurso ao aborto”.

A contraceção de emergência – ou pílula do dia seguinte – pode ser adquirida de forma simples e sem receita médica numa farmácia e consiste numa segunda oportunidade quando algo corre mal, uma vez que protege de uma gravidez indesejada.

No mesmo estudo, conclui-se que as portuguesas (87%) conhecem já a pílula de emergência, mas, quando se analisa a utilização deste método, verifica-se que apenas 17% das mulheres sexualmente ativas que afirma conhecer este método já tiveram de recorrer a ele para evitar uma possível gravidez não desejada. E as utilizadoras são, essencialmente, as mulheres mais jovens, que ainda não querem constituir família.

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Referência
Vânia Marinho