Tendência para fixar rostos zangados associada a risco de depressãoNotícias de Saúde

Quarta, 01 de Julho de 2015 | 25 Visualizações

Um estudo sobre a depressão chegou a uma conclusão interessante. Aparentemente a propensão para a depressão está relacionada com o tipo de coisas a que prestamos atenção. Se prestamos mais atenção a coisas negativas, provavelmente somos mais propensos a sofrer de depressão.

Investigadores da Universidade de Binghamton avaliaram 160 mulheres – 60 com antecedentes de depressão e 100 sem quaisquer antecedentes. Todas as mulheres tiveram de visualizar imagens de rostos, alguns com uma expressão neutra, outros com uma expressão zangada, de tristeza ou felicidade. Com recurso a um sistema de seguimento ocular (eye tracking), constataram que as mulheres com antecedentes de depressão tinham tendência a fixar os rostos com expressões zangadas.

Com base nos dados recolhidos, concluíram que as mulheres que se concentravam nos rostos zangados apresentavam um risco superior de vir a sofrer novamente de depressão nos dois anos seguintes.

Brandon Gibb, professor de Psicologia na Universidade de Binghamton e diretor do Instituto das Perturbações do Humor e do Centro para a Ciência Afetiva, explica que “se andarmos a passear, prestamos mais atenção a determinadas coisas e temos tendência a olhar mais para umas coisas que outras. O que nós constatamos é que se a nossa atenção é desviada para pessoas que parecem zangadas connosco ou que nos estão a avaliar, temos mais propensão para a depressão”.

Mary Woody, aluna na mesma universidade e líder deste estudo, mostra-se entusiasmada pelo facto de este processo tão simples poder ajudar a identificar mulheres em risco de vir a ter uma depressão. “Podemos ser capazes de identificar mulheres que correm riscos acrescidos de vir a sofrer uma depressão apenas pela forma como elas prestam atenção a determinadas expressões emocionais no seu mundo”, afirma Woody.

Estudos como este mostram a importância do viés atencional (que, de uma forma simplista, se pode traduzir na tendência da nossa perceção ser afetada pelos nossos pensamentos recorrentes) na identificação do risco de depressão e poderão levar a uma nova linha de tratamento desta doença.

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Referência
Estudo realizado pela Universidade de Binghamton

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