Telemóveis sobressaltam bebés na barrigaNotícias de Saúde

Terça, 12 de Maio de 2015 | 38 Visualizações

Os sons emitidos pelos telemóveis usados pela grávida ou por quem esteja perto dela têm capacidade para sobressaltar o bebé e perturbar os seus ciclos de sono e vigília na barriga da mãe. O aviso é feito por especialistas norte-americanos que estudaram as reações dos fetos aos toques de chamada, de mensagem e demais utilizações dos aparelhos nas gestações de cerca de três dezenas de mulheres.

“Quisemos saber o que este tipo de aparelhos faz aos fetos”, afirma o co-autor do estudo Boris Petrikovsky, catedrático de Ginecologia e Obstetrícia e diretor do serviço de medicina materna e fetal do Centro Médico Wyckoff Heights, em Nova Iorque. “E descobrimos que quando se é um bebé in utero e nos acordam de hora a hora, não ficamos muito satisfeitos. O som e também as vibrações dos aparelhos causam muitos ‘reflexos de sobressalto’, que perturbam e interrompem os ciclos normais de sono”. Resta agora saber se esta perturbação é suficiente para afetar o estado de saúde geral do bebé, ou causar problemas à gravidez.

O estudo levado a cabo por Petrikovsky e o seu colega Evgeny Zharov avaliou o uso de telemóveis por 28 grávidas no terceiro trimestre de gestação. Todas usavam os telemóveis ou beepers perto da cabeça do bebé e, na investigação, os aparelhos tocaram um conjunto de vezes, separadas por intervalos de cinco minutos, enquanto os investigadores realizavam ecografias.

Todos os fetos, que se encontravam entre as 27 e as 41 semanas, mostraram sinais de surpresa e sobressalto: mover a cabeça, abrir a boca e pestanejar foram as mais frequentes. Quando os toques tinham intervalos de dez minutos, 90 por cento dos bebés continuavam a mostrar-se surpreendidos. Porém, os cientistas também observaram que os fetos habituam-se aos toques, em especial a partir das 36 semanas.

De qualquer forma, a equipa acredita que a repetição da exposição aos sons tem capacidade para perturbar os ritmos do bebé. “Certamente que existem outros fatores que podem sobressaltar o feto”, reconheceu Petrikovsky. “Mas há muito que se sabe que as grávidas que residem perto de aeroportos, com aviões constantemente a levantar e a aterrar, também reportam disrupções do comportamento in utero.  Ou seja, sabemos que o barulho, em especial se for repetitivo, pode afetar o bebé”.

“A nossa recomendação é a de que as grávidas evitem transportar os aparelhos perto da barriga. É melhor usar, por exemplo, um bolso no peito ou mesmo uma bolsa para o efeito. Quando mais longe estiverem do bebé, menos hipóteses há de ele ser afetado”, concluiu.

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