Stress na gravidez aumenta risco de problemas de humor nas filhasNotícias de Saúde

Domingo, 14 de Outubro de 2018 | 47 Visualizações

Fonte de imagem: UNM Newsroom

As grávidas que exibem níveis elevados da hormona do stress cortisol durante a gestação apresentam maior risco de terem filhas que apresentem comportamentos típicos de ansiedade e depressão aos dois anos de idade, indicou um estudo.
 
O estudo que foi conduzido por uma equipa de investigadores de várias instituições académicas sugere que os efeitos do cortisol materno elevado aparentam resultar de padrões de comunicação mais forte entre regiões do cérebro importantes para o processamento sensorial e emocional. 
 
Claudia Buss, autora senior do estudo, da Universidade Charité de Medicina, Berlin, Alemanha e da Universidade da Califórnia, Irvine, EUA, e equipa de investigadores analisaram os níveis de cortisol em múltiplos momentos ao longo do início, meia e fim da gravidez em 70 grávidas. As medições refletiam as variações típicas nos níveis e cortisol maternos. 
 
Logo após os bebés terem nascido foram submetidos a exames de imagiologia ao cérebro para analisar a conetividade antes de o ambiente externo influenciar o desenvolvimento do cérebro. Os investigadores mediram também os comportamentos relacionados com ansiedade e depressão nos recém-nascidos aos dois anos de idade.
 
“Os níveis mais elevados de cortisol durante a gravidez foram associados a alterações na conetividade funcional do cérebro, afetando a forma como diferentes regiões do cérebro podem comunicar entre as mesmas”, revelou Claudia Buss. 
 
Esta alteração na conetividade funcional do cérebro envolvia a amígdala, uma região do cérebro importante para o processamento das emoções. Este padrão de conectividade prognosticava sintomas de ansiedade e depressão dois anos mais tarde. 
 
Apesar de se terem observado aquelas alterações nos bebés do sexo feminino, nos bebés do sexo masculino não se observaram as mesmas, o que é, segundo os investigadores, interessante.
 
Estes achados demonstram a forma como o ambiente pré-natal poderá predispôs o sexo feminino a doenças relacionadas com o humor. O estudo indica ainda que o stress materno pode alterar a conetividade do cérebro no feto em desenvolvimento, e pode ser o ponto de partida para a diferença na incidência de doenças psiquiátricas comuns entre as mulheres e homens.

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Referência
Estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”

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