Sono. Uns precisam de tanto e outros de tão poucoNotícias de Saúde

Quinta, 11 de Junho de 2015 | 81 Visualizações

Muitos davam tudo por mais umas horas na cama, mas para Marcelo quatro horas de sono são suficientes. 'Hoje estou a dormir muito mais: entre três horas e meia e cinco no máximo, quando estou muito cansado', conta Marcelo Rebelo de Sousa. Além dos comentários políticos, o professor universitário também ficou conhecido por não precisar de muitas horas de sono para enfrentar o dia de trabalho. Está entre os que dormem menos do que o recomendado, mas faz parte de uma minoria que, dormindo tão pouco, não sofre de qualquer perturbação do sono.

A explicação para uns precisarem de dormir muitas horas e outras muito poucas prende-se com factores biológicos que influenciam a qualidade do sono. 'Da mesma forma que há pessoas que correm uma maratona, outras há que se cansam a dar dez passos', explica Teresa Paiva, especialista do sono. Ou seja, enquanto uns dormem muito bem e têm um sono robusto, outros têm um sono mais frágil e estão sempre a acordar.

A neurologista ressalva, contudo, que cerca de 5 a 10 % da população dorme pouco e a maioria sofre de perturbações do sono sem ter essa consciência. Teresa alerta para o facto de o ser humano não estar biologicamente preparado para passar noites em claro como se fosse uma 'coruja'.Um caso raro Para a neurologista, a mudança de rotinas de sono vai contra a natureza humana. 'Não é uma coisa normal e resulta de uma alteração grave de hábitos, o que pode ter consequências complicadas na vida das pessoas', adverte. Mas não é este o caso de Marcelo que, segundo a especialista, faz parte de um reduzido grupo que tem um gene que origina um 'sono  muito eficiente', explica Teresa Paiva.Marcelo Rebelo de Sousa conta que nem sempre dormiu tão pouco.

Tudo começou quando foi trabalhar para o semanário 'Expresso', entre 1972 e 1974, numa altura em que havia censura em Portugal. Tal constrangimento obrigava-o a ficar na redacção até às 3h, 4h da madrugada e, no dia seguinte, tinha de ir trabalhar de manhã. Mais tarde, no período revolucionário, entre 1974 e 1976, o professor conta que teve uma agenda muito preenchida. Tinha, por um lado, o trabalho no jornal, e a implantação do PPD, que consumia também muito do seu tempo durante a noite. 'Ia no meu Fiat 127 percorrer o país, não havia auto-estradas e tudo levava muito tempo', recorda o comentador. 

Confessa que nos primeiros tempos, por volta das 18h30 - 19h30 ficava com muito sono. Mas o facto de ter começado a dar aulas a essa hora fez com que tivesse de se adaptar aos horários: 'Não tive outro remédio se não conter a sonolência. Nos primeiros tempos compensava com horas de sono no fim-de-semana, dormia 8 horas. Agora não consigo deitar-me antes das 5h30 e também não consigo dormir durante a manhã.'

 E será que nunca tem sono? 'Sim, quando durmo uma ou duas horas ou quando fico a trabalhar até quase de manhã', responde o professor, admitindo que dormir pouco lhe traz muitas vantagens. É de noite que corrige os testes, prepara as aulas, os programas de televisão e que põe a leitura em dia. Quando o sono é um problema Dormir pode ser um assunto muito sério, especialmente para quem sofre de perturbações de sono como por exemplo as  insónias. A privação, seja ela voluntária ou não, tem consequências: aumento da sonolência, diminuição do desempenho psicomotor em testes de avaliação, lapsos de atenção, dificuldades de concentração, tempos de reacção prolongados, irritabilidade são algumas dos sintomas enumerados por Teresa Paiva.

 'Quando é uma privação prolongada – nem é preciso ser mais de 24h/48h – as consequências podem ser mais graves, como ter alucinações e daí podem resultar, no caso dos adultos, acidentes de viação. Erros de decisão baseados em percepções erradas da realidade'. É que, de acordo com a especialista 'depois de uma noite de privação total de sono, o desempenho comportamental desce até a um nível semelhante ao de indivíduo com uma taxa de alcoolemia de 0,08%. 

A longo prazo, quando a privação é crónica, as implicações das poucas horas de sono afectam directamente à saúde. Nestes casos há um claro aumento do risco de diabetes, um aumento da probabilidade de vir a desenvolver problemas cardiovasculares, hipertensão, problemas de memória, e até maior risco de poder vir a desenvolver cancro, diz a especialista.

Partilhar esta notícia
Referência

Notícias Relacionadas

Info-Saúde Relacionados