Solvente usado no fabrico de plásticos pode causar cancroNotícias de Saúde

Sexta, 15 de Junho de 2018 | 11 Visualizações

Fonte de imagem: Huffington Post

Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), no qual participou o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), mostra que um solvente orgânico, utilizado no fabrico de plásticos reforçados, pode causar cancro.
 
Segundo um comunicado do ISPUP a que a agência Lusa teve acesso, os resultados deste trabalho demonstram que o estireno - usado no fabrico de polímeros e de plásticos reforçados -, a quinolina (solvente) e o 7,8 óxido de estireno são "provavelmente carcinogénicos para os humanos".
 
Esta conclusão foi avançada por um grupo de trabalho da Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC), da OMS, composto por 23 cientistas de 12 países, que se reuniram em Lyon (França), para ajudar a identificar substâncias químicas, usadas na indústria, com potencial de aumentar o risco de cancro no ser humano.
 
Apesar dos benefícios associados à utilização do estireno, o grupo reconhece que o aumento da sua produção e utilização, e a disseminação da sua aplicação, "poderão potenciar efeitos adversos na saúde humana, dadas as suas características físico-químicas e toxicológicas", explicou o investigador do ISPUP João Paulo Teixeira, que integrou a equipa.
 
João Paulo Teixeira indicou que se deve evitar ou reduzir a utilização desses agentes a nível laboral, substituindo-os por produtos, misturas ou processos que "não sejam perigosos" ou que "impliquem menor risco para a segurança e a saúde dos trabalhadores".
 
De acordo com o investigador, a organização do trabalho, técnicas de conceção, utilização e controlo, bem como sistemas e equipamentos de proteção são outras das medidas preventivas (ou corretivas) que podem ser aplicadas.
 
Neste contexto, continuou, a monitorização biológica, que consiste na quantificação e avaliação do agente químico ou do seu metabolito em meios biológicos, tais como o sangue, a urina ou o ar expirado, "assume particular relevância".
 
As monografias da IARC identificam fatores ambientais que podem aumentar o risco de cancro nos humanos, como compostos químicos, agentes físicos e biológicos ou misturas complexas, lê-se ainda na nota.
 
Desde 1971, a IARC avaliou acima de mil agentes, dos quais mais de 400 foram identificados como carcinogénicos, provavelmente carcinogénicos ou possivelmente carcinogénicos para humanos.

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Referência
Estudo publicado na revista “The Lancet Oncology”

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