Satisfação com internamento hospitalar aumenta com breve intervenção psicossocialNotícias de Saúde

Quinta, 19 de Outubro de 2017 | 25 Visualizações

Fonte de imagem: Verdadeiro Olhar

A utilização de um método psicossocial que pode demorar uns breves três minutos fez com que os pacientes no internamente revelassem uma maior satisfação com o tempo passado no hospital, indicou um novo estudo.
 
A técnica conhecida como BATHE (cujas siglas significam “Background, Affect, Trouble, Handling & Empathy”) foi concebido com o intuito de melhorar a relação entre o médico e o paciente, e para ter uma duração de entre três minutos e uma hora. Um recurso mnemónico possível em português para esta técnica poderia ser HAPeLE (para Histórico, Afetar, Problema, Lidar e Empatia).
 
A técnica BATHE é usada nos EUA no contexto da consulta externa. Para este estudo, Claudia Allen e equipa da Faculdade de Medicina da Universidade da Virginia, EUA, decidiram experimentar a técnica em pacientes no internamento.
 
Os investigadores aplicaram a técnica numa unidade de internamento durante um ano, entre 2014 e 2015. Os pacientes receberam, aleatoriamente, os cuidados convencionais, centrados nos planos de tratamento e recuperação da doença ou problema do paciente, ou a técnica BATHE.
 
Foi verificado que os pacientes que tiveram uma breve conversa diária com o médico através da técnica BATHE tenderam a classificar os cuidados médico recebidos como excelentes e apresentaram um grau de satisfação elevado com a sua estadia hospitalar.
 
Os pacientes que receberam a técnica BATHE deram uma avaliação global de 4,77, numa escala de 1 a 5, enquanto que os que receberam os cuidados convencionais deram uma pontuação global de 4 pontos, o que significa uma diferença significativa em termos estatísticos.
 
Esta melhoria na satisfação dos pacientes não ocorreu devido a passarem mais tempo com o médico, pois quando foram solicitados a avaliarem o tempo despendido pelo médico com os mesmos, a diferença na classificação entre os que receberam a técnica e os que não a receberam não foi significativa.
 
A diferença aqui foi na perceção dos pacientes em relação ao médico, que “demonstrou um interesse genuíno em mim enquanto pessoa”.
 
Com a técnica BATHE, o médico estimula o paciente a falar sobre qualquer preocupação que este tenha, e o médico responde com empatia e encorajamento. Uma vantagem da técnica é que “não exige que o médico faça alguma coisa radicalmente diferente ou que acrescente algo totalmente adicional”, explicou Claudia Allen.
 
Finalmente, os médicos consideraram que a técnica BATHE pode poupar tempo pois os pacientes que a receberam pediram menos atenção adicional devida a ansiedade por parte dos médicos ou enfermeiros.

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Referência
Estudo publicado na “Family Medicine”