Rótulos alimentares devem facilitar escolha de dieta equilibradaNotícias de Saúde

Sexta, 10 de Novembro de 2017 | 8 Visualizações

Fonte de imagem: Sunny 95

O diretor do Programa Nacional de Promoção da Alimentação Saudável, Pedro Graça, disse à agência Lusa que é necessário simplificar os rótulos dos alimentos para aumentar o acesso das pessoas com menor literacia a uma alimentação equilibrada.
 
"Essa simplificação dará uma autonomia e uma capacidade de escolha muito elevada ao cidadão que faz dezenas de escolhas no supermercado, no espaço de uma ou duas horas, e que não tem tempo para ler nem para compreender os rótulos", considerou.
 
Pedro Graça, professor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP) falava à Lusa a propósito das Jornadas da Comissão de Ética da Universidade do Porto, subordinadas ao tema "Bioética, Consumo e Políticas Alimentares".
 
"Temos um ambiente em que os produtos saudáveis estão misturados com os não-saudáveis e onde a escolha pelo saudável ou é mais cara ou mais difícil", sendo necessário à população ter "muitos conhecimentos" para perceber a diferença, indicou.
 
Na sua opinião, é preciso continuar a fazer educação "cada vez com mais qualidade" para contornar essa situação, e criar, em paralelo, "ambientes onde as pessoas com poucos conhecimentos tenham à sua disposição produtos maioritariamente saudáveis".
 
"Se olharmos para a prevalência da hipertensão na população adulta ocidental, nomeadamente por diferentes níveis de escolaridade, observamos que naquelas que frequentaram o Ensino Superior esta ronda os 25%, enquanto na população menos escolarizada ou sem qualquer escolaridade sobe para os 45%", referiu.
 
Pedro Graça considera que, além da educação de maior qualidade, é necessário adotar outras medidas como a taxação dos produtos menos saudáveis (com elevada quantidade de sal, por exemplo), tornando-os mais inacessíveis e incentivando a indústria a reformulá-los.
 
De acordo com o professor, esta medida pode ser encarada como uma limitação à liberdade na escolha dos alimentos. Contudo, é uma garantia que as pessoas que tenham menos capacidade de fazer escolhas possam, com pouco esforço, ter acesso a alimentos saudáveis.
 
O intuito é "pagar mais por produtos de pior qualidade" e que esses "tendam naturalmente a desaparecer das prateleiras dos supermercados", avançou.

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