Risco de diabetes de tipo 2: a dieta de jejum intermitenteNotícias de Saúde

Quarta, 23 de Maio de 2018 | 349 Visualizações

Fonte de imagem: Medical Xpress

A adoção de uma dieta com jejum intermitente para perder peso poderá danificar a ação da insulina e assim aumentar o risco de diabetes de tipo 2, indicou um estudo recente.
 
O estudo que foi efetuado por uma equipa de investigadores da Universidade de São Paulo, no Brasil, sugere que as dietas baseadas no jejum podem estar associadas a risco a longo prazo, sendo necessária cautela ao decidir-se embarcar num programa de emagrecimento daquela natureza.
 
Como é de conhecimento geral, a diabetes de tipo 2 é uma epidemia em franca expansão global, sendo atribuída frequentemente a uma má alimentação e a um estilo de vida sedentário. É uma doença intimamente relacionada com a obesidade e pode causar problemas de saúde graves, como doenças cardiovasculares e problemas renais e oculares.
 
As dietas de jejum intermitente para perder peso têm ganho bastante popularidade. No entanto, os estudos sobre o sucesso da mesma têm sido contraditórios e existe ainda falta de conhecimento sobre os potenciais efeitos nocivos, a longo prazo, do jejum intermitente sobre a saúde.
 
Há inclusivamente estudos que indicaram que o jejum de curta duração pode produzir radicais livres, que são químicos altamente reativos que prejudicam o organismo a nível celular e estão associados a problemas na função dos órgãos, risco de cancro e aceleração do processo de envelhecimento.
 
Para procurar determinar os efeitos do jejum intermitente, Ana Bonassa e equipa propuseram-se estudar os efeitos daquele tipo de dieta sobre o peso corporal, níveis de radicais livres e função da insulina em ratazanas adultas normais, durante um período de três meses. 
 
Como resultado, após os três meses a equipa observou que embora as roedoras tivessem emagrecido e consumido menos alimentos tal como esperado, a quantidade de tecido adiposo abdominal dos animais aumentou.
 
 Adicionalmente, as células do pâncreas das ratazanas que libertam insulina estavam danificadas e detetou-se níveis mais elevados de radicais livres e de marcadores de resistência à insulina.
 
“Este é o primeiro estudo a demonstrar que apesar da perda de peso, as dietas de jejum intermitente podem na verdade danificar o pâncreas e afetar a função da insulina em indivíduos normais saudáveis, o que pode conduzir a diabetes e a problemas de saúde graves”, indicou Ana Bonassa.

 

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Referência
Estudo apresentado no Congresso Anual da Sociedade Europeia de Endocrinologia

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