Reverter os efeitos negativos do consumo de marijuana na adolescênciaNotícias de Saúde

Sábado, 16 de Setembro de 2017 | 18 Visualizações

Fonte de imagem: LA Weekly

Os investigadores identificaram um mecanismo específico no córtex pré-frontal responsável por alguns dos riscos negativos para a saúde mental dos adolescentes associados ao consumo de marijuana. Ao demonstrarem que a exposição dos adolescentes ao THC (tetrahidrocanabinol) modula a atividade de um neurotransmissor denominado GABA na região do córtex pré-frontal, eles foram também capazes de identificar o mecanismo que reverte esses riscos. 
 
Uma equipa de investigadores da Universidade de Western, Canadá, descobriu uma forma de usar medicamentos para reverter os efeitos psiquiátricos negativos do THC, o químico psicoativo presente na marijuana. O uso crónico de marijuana por adolescente já tinha sido associado ao desenvolvimento de doenças psicoativas, como a esquizofrenia, na idade adulta. Mas até agora os investigadores não sabiam exatamente o que acontecia no cérebro para provocar esses efeitos.
 
“O que é importante neste estudo não é apenas termos identificado o mecanismo específico que ocorre no córtex pré-frontal em alguns dos riscos para a saúde mental associados ao consumo de marijuana, mas também termos identificado um mecanismo para reverter esses riscos”, afirmou Steven Laviolette, professor na Faculdade Schulich de Medicina e Medicina Dentária da Universidade de Western. 
 
Num estudo publicado online na revista “Scientific Reports”, os investigadores mostraram que a exposição ao THC modula a atividade de um neurotransmissor chamado GABA no córtex pré-frontal. Uma vez que o GABA já tinha sido associado à esquizofrenia, os investigadores centraram a sua atenção nesse neurotransmissor. 
 
“O GABA é um neurotransmissor inibidor que tem um papel crucial na regulação da atividade excitatória no córtex frontal. Por isso, se temos menos GABA, os nossos sistemas neuronais tornam-se mais hiperativos e conduzem a mudanças comportamentais consistentes com a esquizofrenia”, afirmou Justine Renard, primeiro autor do estudo. 
 
O estudo mostrou que uma redução do GABA como resultado da exposição ao THC por adolescentes faz com que os neurónios no adulto não sejam apenas hiperativos nesta parte do cérebro, mas também que deixem de estar sincronizados uns com os outros, o que é demonstrado pelas oscilações anormais nas denominadas ondas “gama”. A perda do GABA no córtex provocou um estado hiperativo correspondente no sistema de dopamina do cérebro, o que é frequentemente observado na esquizofrenia. 
 
Usando medicamentos para ativar o GABA num modelo de esquizofrenia em ratinhos, a equipa conseguiu reverter os efeitos neuronais e comportamentais do THC e eliminar os sintomas semelhantes ao da esquizofrenia. 
 
A equipa esclarece que o próximo passo será o de examinar como é que combinações de químicos canabinoides com compostos que podem estimular o sistema GABA do cérebro podem ser usadas para um tratamento mais eficaz e seguro de uma variedade de distúrbios mentais, como a depressão, ansiedade e dependências. 

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Referência
Estudo publicado na revista “Scientific Reports”