Retina: desenvolvida nova técnica imagiológicaNotícias de Saúde

Quinta, 05 de Janeiro de 2017 | 47 Visualizações

Fonte de imagem: Retina Consultants

Investigadores americanos desenvolveram uma nova técnica imagiológica que pode revolucionar o modo como a saúde ocular é avaliada, dá conta um estudo publicado no ”Proceedings of the National Academy of Sciences”.

Através deste método os investigadores da Universidade de Rochester, nos EUA, foram capazes de distinguir individualmente células ganglionares da retina, envolvidas na retransmissão da informação visual ao cérebro.

Há muito que a comunidade científica tem demonstrado interesse na imagiologia das células ganglionares da retina, uma vez que a morte destas células provoca a perda de visão associada ao glaucoma, a segunda principal causa de cegueira adquirida em todo o mundo. No entanto, até à data ainda ninguém tinha conseguido capturar imagens das células ganglionares da retina individualmente, em parte porque são quase transparentes.

Deste modo, o glaucoma é atualmente diagnosticado através da espessura das fibras nervosas projetadas a partir das células ganglionares da retina para o cérebro. No entanto, quando se deteta alterações na espessura das fibras, o paciente pode já ter perdido mais de 100 mil células ganglionares da retina.

David Williams, o líder do estudo, explica que existem cerca de 1,2 milhões destas células nos olhos, deste modo uma perda de 100 mil é significativo. Assim, quanto mais cedo a perda for identificada maiores são as probabilidades de travar a doença e prevenir a perda de visão.

No estudo os investigadores foram capazes de visualizar as células ganglionares da retina através de uma tecnologia existente, a AOSLO (do inglês, confocal adaptive optics scanning light ophthalmoscopy). Foram recolhidas várias imagens, tendo para tal variado o tamanho e localização do detetor utilizado para reunir a luz dispersa da retina para cada imagem. Posteriormente as imagens obtidas foram combinadas. Esta técnica foi realizada em animais, bem como em voluntários com visão normal e pacientes com degenerescência macular associada à idade.

Esta técnica permitiu a visualização das células ganglionares da retina individualmente, bem como estruturas celulares, como o núcleo, em animais. Caso os investigadores consigam atingir este nível de resolução em seres humanos, poderá ser possível avaliar o glaucoma antes de a fibra nervosa da retina ficar mais fina e mesmo antes de as células ganglionares da retina morrerem.

Apesar de os investigadores se terem focado principalmente nas células ganglionares da retina esta técnica também pode ser utilizada noutro tipo de células, como os fotorreceptores cone que detetam a cor e são importantes para a visão central sendo os primeiros a morrer na degenerescência macular associada à idade.

Uma vez que esta técnica foi experimentada num pequeno grupo de voluntários, os investigadores concluem que são necessários mais estudos de forma a melhorar a sua robustez e garantir que os resultados são reprodutíveis antes que esta seja amplamente utilizada na clínica.

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Referência
Estudo publicado no ”Proceedings of the National Academy of Sciences”

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