Radioterapia em tumores cerebrais causa disfunção cognitivaNotícias de Saúde

Quarta, 14 de Junho de 2017 | 1260 Visualizações

Fonte de imagem: Imperial College

Um novo estudo sugeriu que a radioterapia com partículas de alta energia, como raio-X ou feixes de eletrões, apresenta efeitos secundários adversos significativos.
 
O estudo conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, EUA, demonstrou que a radioterapia com partículas de alta energia como raio-X ou feixes de eletrões, que é essencial no tratamento de pacientes com tumores cerebrais, faz alterar as propriedades da rede estrutural do cérebro, contribuindo talvez para a debilitação cognitiva em muitos pacientes após o tratamento.
 
Naeim Bahrami, autor principal do estudo avançou que “infelizmente, um efeito secundário pode ser a irradiação acidental do tecido cerebral normal e uma lesão induzida pela radiação, que foram associados à incapacidade da função cerebral. À medida que os resultados no paciente melhoram, uma grande preocupação é gerir as complicações de longo prazo, incluindo o declínio e incapacidade cognitivos”.
 
Para o estudo, o investigador e colegas recrutaram 54 pacientes com tumores cerebrais. Com a ajuda de modelos matemáticos complexos, como a teoria de gráficos, para investigarem os efeitos da radioterapia no cérebro.
 
Os cientistas fizeram uma estimativa da espessura do córtex cerebral dos pacientes antes e após receberem radioterapia através de ressonância magnética. 
 
Foi apurado que a radioterapia produzia alterações locais e globais na topologia da rede estrutural do cérebro, diminuindo a espessura do córtex a uma velocidade maior do que a associada à doença de Alzheimer, e aumento a segregação entre regiões do cérebro que normalmente trabalham em conjunto para desempenhar várias funções como a formação de memórias.
 
Como conclusão, o autor principal do estudo aponta que é premente minimizar os efeitos secundários adversos da radioterapia.  
 
Naeim Bahrami, acrescentou ainda que são necessários mais estudos para determinar se a técnica baseada na topologia empregue pela equipa poderá ser útil para prognosticar ou monitorizar o declínio neurocognitivo nos pacientes após a radioterapia, assim como os tratamentos para o cancro em geral.

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Referência
Estudo publicado na revista “Brain Connectivity”

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