Quer triplicar a memória? Os cientistas têm a solução.Notícias de Saúde

Quinta, 23 de Abril de 2015 | 102 Visualizações

A nossa memória é curiosa. Por vezes, falha-nos quando mais precisamos e noutras vezes não nos deixa esquecer coisas que não queríamos recordar. Mas um grupo de cientistas diz-nos que se carregarmos no botão “on” da memória, podemos lembrar-nos dos mais pequenos e simples detalhes.

Quando não estão à espera de ser testadas, as pessoas esquecem-se facilmente da informação passado um ou dois segundos depois de lhe terem prestado atenção. Mas se tiverem à espera que isso aconteça, o resultado é bastante diferente. Nesse caso, costumam recordar-se do dobro ou triplo da informação. Quem é que já não passou por essa situação? 

Brad Wyble, um dos autores do estudo publicado na revista Psychological Science, disse num comunicado da universidade que “geralmente, acredita-se que as pessoas vão recordar-se de detalhes específicos sobre as coisas que são do seu interesse, mas as nossas experiências mostram que isso não é necessariamente verdade. Nós descobrimos, em alguns casos, pessoas com dificuldade em lembrarem-se até dos mais simples pedaços de informação quando não estavam à espera de lhes ser pedido para se recordarem deles”. 

Esta descoberta, chamada de “amnésia do atributo”, revela que a nossa memória é muito mais seletiva do que aquilo que se pensava, não se lembrando, em muitos casos, de fragmentos de informação que foram utilizados apenas há alguns minutos. É por isso que o nosso cérebro nos prega uma partida quando nos pedem para recordar certos acontecimentos e nós acabamos por “fabricar” alguns pormenores, normalmente relacionados com aspectos gerais da história.

Na investigação realizada por Brad Wyble e Hui Chen, professores de psicologia da Penn State University, nos Estados Unidos da América, participaram 100 pessoas, às quais foram mostradas sequências de números e letras, informando-as de que seriam questionadas acerca da posição das letras. Os participantes foram bem-sucedidos nesta tarefa e raramente cometeram um erro.

Mas depois a tarefa foi alterada. Sem esperarem, as pessoas foram questionadas sobre qual a letra que tinham visto na sequência que lhes foi mostrada, em vez da sua posição. E neste caso, a situação mudou radicalmente. Apenas 25 por cento dos participantes acertou na resposta. Ou seja, as pessoas recordavam-se da posição da letra mas não da letra em si.

“Este resultado é surpreendente porque as tradicionais teorias da atenção supõem que, quando um fragmento de informação específico é registado, essa informação é também armazenada na memória e por isso os participantes da experiência deveriam ter-se saído melhor no teste surpresa”, revela Brad Wyble. 

No entanto, quando as pessoas sabiam que iam ser testadas acerca das letras em si, a sua performance melhorou drasticamente. Nestes casos, a taxa de sucesso aumentou bastante, situando-se entre os 65 e os 95 por cento. Segundo os investigadores, este resultado sugere que as expectativas das pessoas desempenham um papel importante na determinação do que se recordam, mesmo para a informação que estão especificamente a usar.

Nesse sentido, Brad Wyble revela que a nossa memória parece funcionar como uma câmara de vídeo. “Se não pressionarmos o botão ‘record’, não se vai “lembrar” de nada do que viu. Contudo, se carregar no botão, saberá o que lhe vai ser pedido para recordar – e a informação é armazenada”.

Os cientistas defendem que este armazenamento seletivo da memória pode ser um fenómeno adaptativo útil, pois impede o cérebro de recordar informação que não é importante, ao mesmo tempo que nos permite armazenar na memória as recordações e informações que mais precisamos e usamos.

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Referência
revista Psychological Science

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