Proteína associada à doença cardíaca relacionada com danos cerebraisNotícias de Saúde

Segunda, 12 de Dezembro de 2016 | 142 Visualizações

Fonte de imagem: labs-services

Os níveis de uma proteína associada à doença cardíaca também estão relacionados com danos cerebrais em estadio inicial, dá conta um estudo publicado na revista “Radiology”.

A doença cardíaca e cerebral têm um grande impacto na sociedade, sendo esperado que a incidência destas doenças continue a aumentar devido ao envelhecimento rápido da população. Os danos em ambos os órgãos ocorrem frequentemente num estadio subclínico, ou antes de os sinais e os sintomas da doença serem evidentes. 

A presença de uma substância, ou marcador, no sangue indicadora de doenças cardíacas e cerebrais subclínicas como o acidente vascular cerebral e a demência poderia acelerar o início dos tratamentos e alterações do estilo de vida, podendo abrandar ou até reverter o curso da doença.

Um dos marcadores promissores é o NT-proBNP, uma proteína libertada no sangue em resposta ao stress da parede cardíaca. Os níveis séricos da NT-proBNP aumentam quando a insuficiência cardíaca se agrava e diminuem quando a condição melhora. Apesar de estudos anteriores já terem demonstrado que existe uma associação entre a doença cardíaca e a cerebral, ainda pouco se conhece sobre a associação entre o NT-proBNP e todo o espetro de marcadores imagiológicos de danos cerebrais subclínicos, como o volume cerebral e a integridade da substância branca.

Neste estudo, os investigadores da Universidade Erasmus, nos Países Baixos, analisaram esta associação em 2.397 indivíduos de meia-idade e idosos sem demência e diagnóstico clínico de doença cardíaca. 

Após terem comparado os níveis séricos do NT-proBNP com os resultados das ressonâncias magnéticas, os investigadores constataram que havia uma relação clara entre os níveis elevados da proteína e os danos cerebrais.

O estudo apurou que os níveis séricos elevados do NT-proBNP estavam associados a volumes cerebrais menores, especificamente um volume cerebral menor da substância cinzenta, e uma pobre organização da substância branca. 

Meike W. Vernooij, o líder do estudo, refere que estes achados sugerem que de facto há uma estreita associação entre o coração e o cérebro mesmo nos indivíduos saudáveis. 

De acordo com o investigador, a associação entre a disfunção cardíaca e os danos cerebrais subclínicos podem ser nomeadamente explicados pela diminuição no fluxo sanguíneo que conduz a danos microvasculares cerebrais ou a problemas na função da barreira sangue-cérebro. 

Os fatores inflamatórios associados ao stress cardíaco podem também danificar a barreira, levando a um aumento da permeabilidade e danos no cérebro. 

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Referência
Estudo publicado na revista “Radiology”

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