Proteger os neurónios atrasa declínio cognitivo na Alzheimer?Notícias de Saúde

Quinta, 09 de Novembro de 2017 | 30 Visualizações

Fonte de imagem: Book Archive

Um novo estudo apontou que proteger os neurónios na doença de Alzheimer, sem atuar sobre os eventos patológicos anteriores, pode constituir um potencial novo tratamento para a doença.
 
Tradicionalmente, na doença de Alzheimer procura-se atuar sobre a acumulação de amiloide e de tau que perfazem as lesões características daquela doença neurodegenerativa.
 
O estudo conduzido por uma equipa de investigadores liderada por Jaymee Voothees da Universidade de Iowa, EUA, teve por base o ensaio de um composto experimental conhecido como P7C3-S243 na prevenção da morte de neurónios em ratazanas com a doença de Alzheimer. 
 
Os compostos baseados no original, denominado P7C3, tinham já demonstrado eficácia na proteção de neurónios de morte celular em modelos animais de outras doenças neurodegenerativas, bem como de desenvolverem comportamentos depressivos em resposta à morte de neurónios induzida pelo stress, no hipocampo, uma região do cérebro essencial para a cognição e regular o humor.
 
O desenvolvimento de depressão pela primeira vez numa idade avançada da vida está associado a um risco significativamente maior de se desenvolver Alzheimer.
 
Durante um período de três anos, os investigadores conduziram ensaios sobre um número elevado de ratazanas macho e fêmea, com Alzheimer e selvagens. Os roedores foram divididos em dois grupos. Um grupo recebeu o composto P7C3 diariamente, a partir dos seis meses de idade e o outro grupo recebeu um placebo.
 
As ratazanas foram submetidas a testes aos 15 e 24 meses de idade para verificar comportamentos do tipo depressivo, bem como as capacidades de aprendizagem e memória das mesmas. Foi observado que aos 15 meses, tanto as ratazanas selvagens, como as com Alzheimer, as que receberam o composto e o placebo preservavam as suas capacidades cognitivas.
 
No entanto, as ratazanas com Alzheimer que tinham recebido o placebo evidenciaram um comportamento depressivo, enquanto as que tinham a doença e recebido o composto P7C3 apresentavam um comportamento semelhante às ratazanas do grupo de controlo, sem sintomas depressivos.
 
Aos 24 meses, as ratazanas com Alzheimer revelavam défices de memória e aprendizagem em comparação com o grupo de controlo. Por sua vez, as ratazanas com Alzheimer tratadas com o composto demonstravam capacidades cognitivas semelhantes às do grupo de controlo.
 
Tanto as ratazanas com Alzheimer que receberam o composto como as que receberam o placebo apresentavam cérebros, avaliados em dois momentos, com os sintomas típicos da doença. No entanto, muitos mais neurónios tinham sobrevivido nos cérebros das ratazanas que tinham recibo o composto. 
 
Os investigadores consideram que a preservação dos neurónios no cérebro de pacientes com Alzheimer poderá ser benéfica para os problemas de memória e estabilização do humor. 

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Referência
Estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”

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