Projeto vai demonstrar capacidade de células mesenquimais na produção de fármacosNotícias de Saúde

Quarta, 03 de Julho de 2019 | 11 Visualizações

Fonte de imagem: Innovita Research

Um projeto que envolve quatro entidades pretende, nos próximos dois anos, demonstrar a capacidade de fabrico de medicamentos a partir de células mesenquimais (presentes no cordão umbilical), que podem ser usados no tratamento de doenças autoimunes.
 
A investigação envolve a Crioestaminal que criou o primeiro banco de células estaminais do cordão umbilical em Portugal, em parceria com o Centro de Neurociências e Biologia Celular de Coimbra (CNC), o Instituto Superior Técnico (IST) e o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).
 
O projeto MSCellProduction visa demonstrar a capacidade de fabrico de medicamentos de terapia celular a partir de células mesenquimais do tecido do cordão umbilical e do tecido adiposo.
 
Segundo o diretor geral da Crioestaminal, André Gomes, o "desenvolvimento desta metodologia de expansão de células mesenquimais do tecido do cordão umbilical e do tecido adiposo permitirá a obtenção de células em quantidade e qualidade clinicamente exigidas para aplicação em doentes".
 
O investigador Artur Paiva, do CHUC, disse à agência Lusa que "estas células conseguem, de alguma forma, controlar uma resposta imunológica diferente do normal, exacerbada, e, portanto, podem ter grande aplicabilidade em doenças autoimunes".
 
"Até fazem abrir novas perspetivas de utilização em diferentes áreas, nomeadamente nas neoplasias sólidas", referiu o médico, salientando que, atualmente, as células mesenquimais "já têm grande aplicabilidade e podem vir a ter mais".
 
O objetivo do projeto é, em primeiro lugar, "produzir estas células em larga escala para poderem ser utilizadas em ensaios clínicos, e, depois dessa capacidade validada, saber se estas células conseguem fazer ‘in vitro' aquilo que têm como potencialidade de fazer ‘in vivo'".
 
De acordo com Artur Paiva, depois é preciso testar que aquelas células [mesenquimais] têm a capacidade de controlar as diferentes populações do sistema imunológico.
 
"Nalgumas circunstâncias, e em alguns doentes em particular, estas células podem ter uma grande aplicabilidade", sublinhou o investigador, que estima ser possível produzir medicamentos para serem utilizados em imunoterapia celular após o final do projeto e depois de concluído o processo de aprovação.

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Referência
Investigação envolve quatro entidades em Portugal