Projeto do i3S do Porto sobre leucemia mieloide aguda distinguidoNotícias de Saúde

Sexta, 01 de Fevereiro de 2019 | 26 Visualizações

Fonte de imagem: lookfordiagnosis.c

A Sociedade Europeia de Hematologia distinguiu um projeto do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) que visa explorar “o papel do ferro na remodelação do microambiente” na leucemia mieloide aguda, revelou o responsável.
 
Em declarações à agência Lusa, Delfim Duarte, investigador do i3S responsável pelo projeto, explicou que foi através de outro estudo que os investigadores perceberam que “o ferro poderá ter um papel importante” no desenvolvimento desta patologia.
 
“O que vimos no trabalho anterior é que, diminuindo a quantidade de ferro, conseguimos proteger o microambiente da medula óssea. E isso é bom porque conseguimos manter a produção de sangue normal durante mais tempo e preparar a medula óssea para o transplante. Achamos que a deposição do excesso de ferro pode ser prejudicial”, esclareceu.
 
Segundo Delfim Duarte, apesar da investigação na área da leucemia mieloide aguda, uma doença “rara” e “bastante agressiva”, ser ativa, ainda não foi possível desenvolver “um tratamento eficaz”.
 
“Durante os últimos 30 anos foi utilizada a mesma estratégia no tratamento porque de facto a biologia da doença é muito complexa e não se conseguiu desenvolver um tratamento eficaz”, frisou.
 
De acordo com o investigador, a leucemia mieloide aguda, doença que tem uma maior incidência em pessoas com mais de 65 anos, é provocada pela “proliferação descontrolada de glóbulos brancos”, tendo como consequência para o doente a perda de células normais do sangue, o aparecimento de cansaço, hemorragias e várias infeções.
 
“Existe uma destruição específica de determinados vasos sanguíneos da medula óssea, isto é, no tutano do osso que é onde a doença se desenvolve e isso tem implicações na perda de sangue normal e na agressividade das células de leucemia”, afirmou Delfim Duarte.
 
Para explorar esta hipótese, a equipa de investigadores do i3S vai utilizar amostras de doentes, estando por isso em fase de recrutamento no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, e modelos pré-clínicos de ratinhos.
 
O projeto pretende, durante os próximos dois anos, explorar o papel do ferro e procurar desenvolver novas terapêuticas e aumentar a qualidade de vida dos doentes oncológicos.

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Referência
Distinção atribuída pela Sociedade Europeia de Hematologia