Progressão da doença de Huntington: o papel de uma enzimaNotícias de Saúde

Quarta, 19 de Abril de 2017 | 79 Visualizações

Fonte de imagem: Journal of Rare Diseases Research & Treatment

Uma equipa de investigadores efetuou um estudo que poderá conduzir a tratamentos para travar o progresso da doença de Huntington.
 
A doença de Huntington é uma doença neurodegenerativa hereditária que afeta o movimento e não tem cura. 
 
O estudo liderado por Ana Cristina Rego, do Centro de Neurociências e Biologia Celular, da Universidade de Coimbra, revelou resultados que indicam que a ativação da enzima desidrogenase do piruvato melhora a saúde das células mutantes presentes na doença de Huntington através de compostos específicos.
 
Para o estudo, a equipa comparou células de ratinhos com doença e com os de um grupo de controlo, procurando perceber se os grupos tratados com compostos que induzem a ativação da desidrogenase do piruvato tinham melhorias na função das mitocôndrias e sintomas motores.
 
O funcionamento da desidrogenase do piruvato foi melhorado por via do bloqueio da atividade de outro grupo de enzimas, desacetilases das histonas, que regulam a expressão dos genes. O aumento da atividade da desidrogenase do piruvato permitiu melhorar a produção de energia da célula (através da função das mitocôndrias que são a “fábrica” de energia das células) e recuperar a função motora em ratinhos com a doença.
 
Ana Cristina Rego esclarece que “a doença apresenta alterações na transcrição de genes, um processo muito importante para que as células possam funcionar normalmente. Utilizámos compostos que afetam a epigenética da célula, ou seja, a forma como a célula regula a transcrição de genes importantes para o seu funcionamento”. 
 
“Os compostos inibem a atividade das desacetilases das histonas, aumentando os níveis de transcrição de genes, levando à ativação da desidrogenase do piruvato”, continuou.
 
A investigadora sublinhou ainda que “os compostos poderão ser usados clinicamente para atrasar a progressão da doença de Huntington. Uma vez que a enzima desidrogenase do piruvato parece ser um alvo terapêutico muito promissor, poderão ser encontradas outras formas de tratar a disfunção desta enzima”.

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Referência
Estudo publicado na “Journal of Neuroscience”