Problemas cognitivos da quimioterapia poderão ser revertidosNotícias de Saúde

Quinta, 13 de Dezembro de 2018 | 24 Visualizações

Fonte de imagem: Huffingtonpost

Uma equipa de investigadores conduziu um estudo em que tentou perceber a forma como a quimioterapia afeta o cérebro e porquê, e ainda identificar uma forma de bloquear ou reverter os seus efeitos sobre a função cognitiva.
 
Os efeitos adversos da quimioterapia sobre o cérebro são já bem conhecidos e afetam grandemente a qualidade de vida dos doentes, meses e mesmo anos após o fim do tratamento.
 
O estudo efetuado na Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, EUA, descobriu que o metotrexato, um fármaco quimioterápico, afeta o funcionamento de três tipos de células presentes na matéria branca do cérebro: oligodendrócitos, astrócitos e células microgliais. 
 
Os oligodendrócitos geram e protegem a mielina (substância que isola os axónios, que são fibras através das quais os neurónios comunicam entre si). Os astrócitos asseguram um ambiente saudável e a irrigação dos neurónios, permitindo que os mesmos comuniquem entre si adequadamente. Finalmente, as células microgliais são células imunitárias especializadas que destroem os invasores que atacam o cérebro.
 
Ao analisarem tecido cerebral de crianças que tinham recebido quimioterapia, e comparado com tecido de crianças que não tinham recebido tratamento, os investigadores notaram uma quantidade muito menor de oligodendrócitos no tecido que tinha recebido quimioterapia. 
 
Seguidamente, a equipa injetou ratinhos com metotrexato em doses que simulavam um tratamento humano. Quatro semanas mais tarde, os ratinhos evidenciavam danos nas células precursoras de oligodendrócitos, as quais substituem os oligodendrócitos que deixaram de funcionar. À medida que as células precursoras iniciavam o processo de maturação, este estancava e as células não amadureciam. Este processo era visível mesmo seis meses após o fim do tratamento.
 
A espessura da mielina foi também afetada e os ratinhos apresentaram problemas semelhantes aos dos humanos sujeitos a quimioterapia: motores, de ansiedade, de memória e atenção. 
 
A equipa injetou depois os ratinhos com células precursoras de oligodendrócitos retiradas de ratinhos saudáveis. Como resultado, estas células iniciaram o processo de maturação com um volume maior e o processo não parou a meio.
 
Ao analisarem as células microgliais, os investigadores descobriram que exibiram uma atividade anormal durante pelo menos seis meses após a quimioterapia. Isto interferia com a função dos astrócitos e com a nutrição dos neurónios.
 
Contudo, após terem administrado nos ratinhos um fármaco novo que faz enfraquecer as células microgliais, as células precursoras dos oligodendrócitos retomaram o processo normal de maturação, deixou de haver interferência na função dos astrócitos e a mielina recuperou a espessura normal. Foi ainda observada uma reversão em muitos sintomas de incapacidade cognitiva nos ratinhos. 
 
“A biologia desta doença sublinha realmente como é importante a comunicação intercelular”, afirmou Michelle Monje, autora sénior do estudo.

Partilhar esta notícia
Referência
Estudo publicado na revista “Cell”

Notícias Relacionadas