Primeiro exercício de treino do cérebro com resultados positivos na prevenção da demênciaNotícias de Saúde

Quarta, 29 de Novembro de 2017 | 84 Visualizações

Fonte de imagem: Jornal de Jun

Um exercício cognitivo, chamado “velocidade de processamento”, mostrou ser benéfico até 10 anos depois de os participantes o terem realizado, afirmou Frederick W. Unverzagt, professor de Psiquiatria na Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana, EUA.
  
A percentagem de participantes que realizou o treino e mais tarde desenvolveu demência foi significativamente menor entre aqueles que fizeram o treino cognitivo, afirmaram os investigadores.
 
Os benefícios puderam ser medidos, apesar de a quantidade de treino ter sido pequena e distribuída no tempo: inicialmente, 10 sessões de 1 hora durante 6 semanas e, depois disso, até 8 sessões de reforço.
  
“Nós consideramos que a dose de treino foi relativamente pequena, foi uma intervenção de baixa intensidade. A persistência, a duração, do efeito foi impressionante”, afirmou Frederick Unverzagt, que fornece explicações mais pormenorizadas no blog Q&A.
 
Os resultados do estudo “Advanced Cognitive Training in Vital Elderly - ACTIVE” (Treino Cognitivo Avançado em Idosos Vitais), que contou com 2.802 participantes idosos, foram recentemente publicados na revista “Alzheimer & Dementia Translational Research and Clinical Interventions”.
 
A equipa, que incluiu investigadores da Universidade de Indiana, Universidade da Florida do Sul, Universidade do Estado da Pensilvânia e da empresa de biotecnologia Moderna Therapeutics, examinou adultos com 65 ou mais anos e de diversas origens, tendo-os distribuído aleatoriamente por 4 grupos de tratamento: prática de estratégias para melhorar a memória de acontecimentos e atividades; prática de estratégias para melhorar a resolução de problemas; prática de exercícios de velocidade de processamento em computador (concebidos para aumentar a quantidade e complexidade de informação processada rapidamente); grupo de controlo, cujos membros não participaram em nenhum treino cognitivo.
 
Os participantes foram avaliados imediatamente após o treino e um, dois, três, cinco e 10 anos após o treino. Um total de 1.220 participantes completou o período de avaliação de 10 anos e durante esse período de follow-up 260 participantes desenvolveram demência.
 
O estudo mostrou que o risco de desenvolvimento de demência foi 29% mais baixo entre os participantes que fizeram o treino de velocidade de processamento em comparação com o grupo de controlo, uma diferença estatisticamente significativa. 
 
Apesar de os treinos de memória e resolução de problemas também terem mostrado benefícios na redução do risco de demência, os seus resultados não foram estatisticamente significativos.  
 
Frederick Unverzagt refere que o treino de velocidade de processamento recorreu a um software de “treino adaptativo” com ecrãs táteis. Os participantes tinham de identificar objetos no centro do ecrã ao mesmo tempo que também tinham de identificar a localização de objetos que apareciam muito brevemente na periferia do ecrã. O software adaptava a velocidade e a dificuldade dos exercícios de acordo com o desempenho dos participantes. 

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Referência
Estudo publicado na revista “Alzheimer's & Dementia: Translational Research & Clinical Interventions

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