Porque é que remover totalmente um tumor da mama é um ótimo sinal?Notícias de Saúde

Quinta, 04 de Abril de 2019 | 12 Visualizações

Fonte de imagem: Medscape

Uma equipa de investigadores demonstrou que quando um tumor da mama é removido com sucesso, a resposta imunitária vira-se para a destruição das células tumorais que se tenham inevitavelmente deslocado para os nódulos linfáticos e órgãos como os pulmões.
 
O achado foi da equipa de Hasan Korkaya, da Faculdade de Medicina da Georgia na Universidade de Augusta, EUA. 
 
Para a sua investigação, a equipa propôs-se perceber o que sucede a nível molecular em ratinhos com cancro da mama extremamente agressivo, como o triplo negativo, e com outro tipo de cancro da mama menos invasivo, de maneira a analisar o destino de células cancerígenas espalhadas para outras áreas do corpo.
 
No espaço de uma semana, os ratinhos com ambos os tipos de cancro apresentavam células tumorais nos nódulos linfáticos e nos pulmões. 
 
Contudo, o tipo de cancro mais agressivo formou rapidamente metástases em locais mais remotos do corpo. Como esperado, os ratinhos com aquele tipo de cancro da mama rapidamente morreram.
 
Por outro lado, após cirurgia nos ratinhos com cancro menos agressivo, foi observado que as células tumorais que se tinham espalhado para outras regiões do corpo, não só ficaram em estado dormente, como também foram exterminadas, aparentemente na sequência de uma resposta imunitária reajustada.
 
Isto foi comprovado quando os investigadores removeram os linfócitos T citotóxicos, que são a primeira linha de defesa imunitária, e o cancro se espalhou com maior rapidez. 
 
Após a cirurgia ter exterminado todo o tumor e as células tumorais que se tinham libertado serem exterminadas pelo sistema imunitário, este foi novamente bem-sucedido semanas depois ao aniquilar, em poucos dias, mais 100.000 células cancerígenas. Estas células tinham sido injetadas nos ratinhos e espalhado para os pulmões. Seis meses mais tarde, a memória imunitária mantinha-se.
 
Contudo, nos casos em que ficou uma porção do tumor primário, o sistema imunitário, em vez de matar as células cancerígenas, pareceu ajudar o cancro, que cresceu com maior rapidez, tornando-se maior do que a massa original. As células que se tinham espalhado para outras regiões do corpo conseguiram formar colónias mais facilmente e os ratinhos rapidamente morreram. 
 
Hasan Korkaya especula que quando a cirurgia é bem-sucedida, o ato de cortar induz mais inflamação que fortalece o sistema imunitário contra o cancro. Mas quando fica um pouco do tumor primário, dá-se uma espécie de ação recíproca em que o sistema imunitário se torna, em vez disso, amigo do tumor.

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Referência
Estudo publicado na revista “Nature Communications”

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