Porque é que os antibióticos falham contra as bactérias?Notícias de Saúde

Quinta, 21 de Fevereiro de 2019 | 42 Visualizações

Fonte de imagem: Quanta Magazine

Uma equipa de físicos conseguiu identificar um mecanismo simples usado por bactérias potencialmente fatais que lhes permite defenderem-se dos antibióticos.
 
O achado da equipa da Universidade McMaster, Canadá, permite perceber, com grande detalhe, a forma como os germes se adaptam e atuam, podendo assim abrir caminho para o desenvolvimento de novos fármacos para combater as infeções de forma eficaz.
 
A equipa propôs-se analisar a interação das membranas das bactérias com o antibiótico polimixina B que é usado no tratamento de infeções do trato urinário, do sangue, oculares e meningite. 
 
A escolha daquele antibiótico prende-se com o facto de ter sido considerado como a última linha de defesa quando nenhum outro fármaco funcionava. Contudo, em 2016 uma equipa de investigadores chineses descobriu um gene que permite que as bactérias se tornem resistentes às polimixinas. 
 
As membranas das bactérias foram observadas com recurso a equipamento altamente especializado. Com efeito, foram capturadas imagens com uma resolução tão elevada que foi possível observar moléculas com a dimensão de aproximadamente um milionésimo de um fio de cabelo humano!
 
Os investigadores observaram que a polimixina B atuava como um furador sobre a membrana das bactérias, fazendo buracos e matando assim a célula. Mas tinha havido muita discussão sobre a forma como esses buracos são formados na membrana da bactéria, explicou Adree Khondker, primeiro autor do estudo.
 
Quando estes antibióticos atuam adequadamente, aplicam-se as leis da física: o fármaco tem uma carga positiva e é atraído pela bactéria que tem uma carga negativa. Paralelamente, a membrana bacteriana exerce uma força repulsiva na tentativa de repelir o fármaco.  No entanto, como essa membrana é muito fina, acaba por ser ineficaz e o fármaco consegue produzir os buracos.
 
No caso das bactérias resistentes, a membrana torna-se mais rígida e muito mais difícil de penetrar. Adicionalmente, a carga negativa da bactéria torna-se mais fraca, dificultando a localização e aderência do antibiótico à mesma. 
 
“Para o fármaco, é como passar de cortar Jello [marca de uma gelatina] para cortar rocha”, elucidou Adree Khondker.

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Referência
Estudo publicado na revista “Communications Biology”

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