Por que razão é que a flatulência é comum a bordo de aviões?Notícias de Saúde

Domingo, 28 de Dezembro de 2014 | 71 Visualizações

As férias de fim de ano chegaram e muitos preparam-se para viajar. Se isto já aconteceu consigo, não se envergonhe: problemas de flatulência durante voos são comuns.

Por quê? Foi o que se perguntou o médico Jacob Rosenberg, que decidiu encontrar a explicação - o interesse dele pela flatulência a bordo começou durante uma viagem longa para a Nova Zelândia.

Ao olhar para a própria barriga, percebeu que ela havia crescido visivelmente desde que entrou no avião. Foi ao abrir a mala e ver a sua garrafa de água vazia que entendeu o que se passava.

A garrafa expandiu-se quando a pressão no avião baixou durante o voo e voltou a contrair assim que este aterrou. O médico deu-se conta que os gases no seu estômago deveriam estar a fazer o mesmo.

«Desde então notei quanta flatulência se tem durante voos», disse.

Ainda que não seja comparável com os efeitos da turbulência externa, o assunto é alvo comum de queixas entre passageiros. «Todos já sentiram algum mau odor durante um voo», diz Rosenberg, que é professor da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca.

Isso levou o pesquisador a perguntar sobre as consequências científicas deste fenómeno, o que o fez procurar soluções para travar o problema.

Mesmo com os pés na terra, todos os humanos expulsam uma quantidade surpreendente de gases por dia. Cientistas estimam que uma pessoa emita em média dez flatulências a cada 24 horas - o equivalente a um litro de emanações.

Estes gases são produto dos alimentos que não foram absorvidos pelo intestino e são fermentados por bactérias.

A fermentação produz nitrogénio, dióxido de carbono e hidrogénio, além de outros componentes sulfúricos mais fedorentos.

O médico Jacob Rosenberg também desconstruiu uma série de mitos sobre o tema.
Por exemplo, ao contrário do que sugere a cultura popular, um estudo realizado nos anos 90 mostra que homens não têm mais flatulência do que as mulheres.
A mesma pesquisa mostra que os gases das mulheres têm uma concentração maior de componentes sulfúricos, o que torna o seu odor mais potente.

E, mesmo que os feijões tenham ganho uma má fama como fontes de gases, uma recente experiência mostrou que não são tão inflamatórios para o intestino como se acreditava e que o seu efeito varia muito de pessoa para pessoa.
Sumos, peixe e arroz são alguns dos alimentos mapeados para ajudar a reduzir a flatulência.

Ao contrário do que muitos acreditam, os alimentos derivados do leite também reduzem os gases.

A flatulência pode causar inconvenientes durante os voos - especialmente para quem passa muito tempo em cabines pressurizadas.
Segundo estatísticas da Associação Médica Aeroespacial, mais de 60% dos pilotos sentem inchaço abdominal, um número bem maior que a de trabalhadores de outros sectores.

A razão tem a ver com a física básica: «a pressão cai e o ar tem mais espaço para se expandir», diz Jacob Rosenberg.

O médico estima que este gás ocupe um volume 30% maior, o que explica a sensação de inchaço.

Rosenberg não recomenda que se retenha estes gases. «Se é jovem e saudável não há problema, mas para idosos isso pode representar um esforço cardíaco perigoso», adverte. Por outro lado, libertar todos os gases também pode trazer riscos.

Um estudo de 1969 advertiu para o perigo de explosão que a acumulação de flatulências geradas por astronautas num foguete poderia gerar. Até hoje, no entanto, nunca foi registado um acidente por esta razão.

Recentemente, a Agência Espacial do Canadá sugeriu que a soja fermentada poderia ser a comida ideal para consumo no espaço, já que contém bactérias probióticas que reduziriam o inchaço abdominal dos astronautas.

Mesmo que nos aviões comerciais não haja risco de explosão, as companhias aéreas investem em medidas para aliviar o desconforto gerado por este problema.

Rosenberg entrevistou diferentes companhias que usam filtros de carbono no ar-condicionado para absorver cheiros.

As empresas também procuram servir alimentos que contenham poucas fibras e muitos hidratos de carbono - uma combinação que facilita a digestão.

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Referência
Universidade de Copenhaga, na Dinamarca