Poluição também provoca AVC, alertam especialistasNotícias de Saúde

Quarta, 18 de Julho de 2018 | 17 Visualizações

Fonte de imagem: Vichy

«Clean Air for Brain Health» é o tema escolhido pela World Federation of Neurology (WFN) para assinalar o Dia Mundial do Cérebro, celebrado anualmente a 22 de julho.

O mote visa alertar para a poluição atmosférica enquanto fator de risco modificável para as doenças degenerativas do sistema nervoso e cerebrovasculares, em especial o AVC, principal causa de morte e incapacidade no nosso País.

Num comunicado, a Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPACV) considera que «esta é uma questão emergente que a todos deve preocupar - sociedade e especialistas», salientando que a última estimativa de mortes atribuíveis à poluição atmosférica em todo o mundo é de 12 milhões por ano.

Estas mortes são relacionadas com doenças cardíacas, como o enfarte do miocárdio ou insuficiência cardíaca congestiva, doenças pulmonares, doenças oncológicas e, mais recentemente, com doenças neurológicas, nomeadamente o AVC e a demência.

«São complexos os mecanismos que estão na origem da relação entre exposição à poluição atmosférica e ocorrência de AVC, envolvendo uma componente vascular, uma componente ligada ao sistema nervoso autónomo e uma componente relacionada com o aumento da agregação plaquetária», afirma José Manuel Calheiros, professor catedrático da Universidade da Beira Interior, citado no mesmo comunicado, que se tem dedicado à investigação nesta área.

«A poluição está, de facto, a invadir o cérebro os pulmões e, consequentemente, todo o organismo», reforça o médico.

Segundo o especialista e membro da Comissão Científica da SPAVC, têm sido publicados vários estudos que «estabelecem uma relação sólida entre a poluição atmosférica e os efeitos agudos e crónicos sobre os sistemas circulatório e nervoso».

«O ano passado foi publicado um estudo que analisou os efeitos da poluição a longo prazo numa população de seis países de médio e baixo rendimentos que apresentavam elevados índices de poluição, o qual incluiu mais de 45 000 participantes.

Concluiu-se que por dada aumento de 10 microgramas de partículas poluentes finas (PM2,5) por cada metro cúbico, resulta num aumento de cerca de 13% da probabilidade de ocorrência de um AVC. O estudo revelou ainda que, nestes países, 6,6% da totalidade dos AVC podem ser atribuídos à poluição ambiental», avança o docente.

O mote do Dia Mundial do Cérebro 2018 visa alertar para a poluição atmosférica enquanto fator de risco modificável para as doenças degenerativas do sistema nervoso e cerebrovasculares, em especial o AVC, principal causa de morte e incapacidade no nosso país 

Adicionalmente, a WFN chama a atenção para as conclusões do relatório internacional Global Burden of Disease, que aponta a poluição atmosférica como fator para o aumento do AVC em mais de 30% entre os anos de 1990 e 2013, tendo por base dados de 188 países.

Esta poluição pode ser proveniente do tráfego automóvel, indústria, centrais de produção de energia, fogos florestais, ao que acresce a poluição dentro de nossas casas e locais de trabalho, proveniente da confeção de alimentos, lareiras, sendo que a mais frequente das causas de poluição do ar interior é o fumo do tabaco.

«Estes números traduzem-se num risco e peso enormes para a saúde das populações. Apesar das sistemáticas recomendações para reduzir a poluição há muito preconizadas pela Organização Mundial de Saúde e outros organismos, estamos muito longe do que é desejável, pois essas indicações não são cumpridas na maior parte dos países», conclui José Manuel Calheiros.

O especialista considera que a sensibilização da população, dos profissionais de saúde e dos decisores políticos para este tema é fundamental, “para que passemos do conhecimento para a ação de Saúde Pública”.

Mais informações na página da WFN sobre o World Brain Day 2018, aqui

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