Poluentes agravam risco cardiovascular em doentes hipertensosNotícias de Saúde

Quinta, 21 de Março de 2019 | 4 Visualizações

Fonte de imagem: Medical Xpress

A exposição a poluentes agrava o risco cardiovascular em doentes que já têm outros fatores de risco, mesmo quando já estão em tratamento, revela um estudo desenvolvido por investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS).
 
O estudo do CINTESIS, a que a Lusa teve acesso, analisou a influência dos poluentes orgânicos persistentes (POP) como o pesticida DDE, no perfil cardiometabólico e inflamatório de uma população de mulheres pré-menopausa, obesas e hipertensas.
 
Os POP são substâncias derivadas sobretudo de atividades industriais, podendo contaminar o ar, o solo e a água. São ou foram usados como pesticidas, ingredientes de produtos industriais, domésticos e de cuidado pessoal e plastificantes, por exemplo.
 
No ser humano, a exposição a estes contaminantes ocorre sobretudo através da alimentação, mas também através da inalação ou exposição dérmica, existindo uma acumulação preferencial no tecido adiposo.
 
Neste estudo, os cientistas recolheram amostras de sangue, de tecido adiposo visceral e de tecido adiposo subcutâneo de um total de 43 mulheres no momento da cirurgia bariátrica. Estas foram depois comparadas com um grupo de mulheres obesas, mas que não eram hipertensas.
 
De acordo com esta investigação, as concentrações de poluentes eram significativamente mais elevadas nas mulheres obesas e hipertensas do que nas mulheres obesas, mas sem hipertensão. Nas mulheres com obesidade e hipertensão, o risco cardiovascular estava sempre aumentado, independentemente da existência de tratamento.
 
Estes dados sugerem que “a acumulação de poluentes no tecido adiposo visceral e no sangue implica um risco aumentado de sofrer um evento cardiovascular como um enfarte do miocárdio, doença coronária, insuficiência cardíaca ou acidente vascular cerebral, mesmo quando se toma medicação para baixar a pressão arterial”.
 
Em consequência, “a análise da concentração de poluentes no tecido adiposo visceral poderá ser útil para detetar os doentes em maior risco e para antecipar o tratamento farmacológico”, defende Conceição Calhau, investigadora principal na área de Nutrição do CINTESIS.

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Referência
Estudo conduzido pelo CINTESIS

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