Pasta de dentes e sabonete líquido causam resistência a antibióticosNotícias de Saúde

Domingo, 24 de Junho de 2018 | 68 Visualizações

Fonte de imagem: Abbotsford Dental Clinic

Um estudo recente descobriu que um ingrediente comum na pasta de dentes e no sabonete líquido para lavar as mãos pode estar a contribuir para a crescente resistência global aos antibióticos.
 
O estudo que foi efetuado por uma equipa de investigadores liderados por Jianhua Guo da Universidade de Queensland, Austrália, teve como enfoque o estudo do triclosan, um composto utilizado em mais de 2.000 produtos de higiene pessoal.
 
Segundo o líder do estudo, embora se saiba bastante bem que o uso excessivo e incorreto dos antibióticos esteja a criar bactérias multirresistentes, a equipa desconhecia, até à data, que outros químicos pudessem também induzir resistência antibiótica.
 
“As águas residuais de áreas residenciais possuem níveis semelhantes ou mesmo superiores de bactérias resistentes aos antibióticos a genes resistentes aos antibióticos em comparação com os hospitais, onde se esperaria maiores concentrações de antibióticos”, comentou Jianhua Guo.
 
Foi esse facto que conduziu os investigadores à formulação da hipótese de químicos antimicrobianos não antibióticos como o triclosan poderem eventualmente provocar resistência aos antibióticos.
 
Jianhua Guo recordou que esses compostos químicos são usados em quantidades muito maiores diariamente, sendo que níveis elevados de resíduos acabam no meio-ambiente, podendo induzir resistência a múltiplos fármacos.
 
“Esta descoberta oferece forte evidência de o triclosan encontrado nos produtos de higiene pessoal que usamos diariamente estar a acelerar a expansão da resistência aos antibióticos”, revelou o investigador líder do estudo.
 
Zhiguo Yuan, que participou neste estudo, alertou para o facto de esta descoberta dever ser uma chamada de atenção para reavaliar o potencial impacto de químicos como o triclosan.
 
Calcula-se que a resistência antimicrobiana mate atualmente 700.000 pessoas por ano no mundo inteiro, um número que deverá subir para 10 milhões em 2050 se não se agir imediatamente.

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Referência
Estudo publicado na revista “Environment International”

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