Paixão pelo futebol é comparada a amor tribalNotícias de Saúde

Segunda, 20 de Março de 2017 | 24 Visualizações

Fonte de imagem: Liquid Football

O amor tribal prende-se com a tensão entre amor e fanatismo e implica, simultaneamente, o sentimento de pertença a um grupo e de rivalidade com os outros. Um estudo de imagem cerebral realizado na Universidade de Coimbra vem lançar uma luz sobre o assunto

É sabido que a paixão pelo futebol desperta emoções, muitas vezes irracionais, que atravessam a fronteira entre o amor tribal e o fanatismo.

Um estudo pioneiro, realizado no Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra (UC) tentou perceber como se comporta o cérebro no que diz respeito ao futebol.

Durante três anos, os investigadores Catarina Duarte, Miguel Castelo-Branco e Ricardo Cayolla estudaram o cérebro de 56 adeptos, na sua maioria das claques oficiais da Académica e Futebol Clube do Porto, cujo nível de paixão foi avaliado através de scores de avaliação psicológica.

Os participantes, entre os 21 e os 60 anos, foram expostos a vídeos emocionalmente intensos, quer positivos quer negativos ou neutros.

No estudo, publicado na SCAN, “foi observada a ativação de circuitos cerebrais de recompensa que são semelhantes aos que são ativados na experiência do amor romântico. Em particular, os circuitos de memória emocional são mais recrutados pelas experiências positivas do que pelas negativas”, afirma Miguel Castelo-Branco.

Isto significa, esclarece o coordenador do estudo, “que a paixão tende a prevalecer sobre os conteúdos mais negativos como, por exemplo, de derrota com o rival, que tendem a ser suprimidos da memória emocional. O estudo coloca por isso em relevo os aspetos positivos desta forma de amor tribal, e de que o cérebro dispõe de mecanismos para suprimir conteúdos negativos. O cérebro parece, por essa razão, ter mecanismos de proteção contra memórias suscetíveis de levar ao ódio tribal”.

O docente salienta ainda que quanto maior o score de paixão clubística, maior é a atividade em certas regiões do cérebro associadas a emoções de recompensa, semelhantes às envolvidas no amor romântico.

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Autor
Lusa
Referência

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