Opióides sintéticos e desafios da legalização da canábis em destaqueNotícias de Saúde

Terça, 31 de Outubro de 2017 | 12 Visualizações

Fonte de imagem: Summit

A chegada à Europa do problema dos opióides sintéticos e os desafios colocados pela progressiva legalização da canábis foram alguns dos temas principais discutidos por cerca de 1.300 especialistas, anunciou a agência Lusa.
 
No encerramento do segundo encontro “Lisbon Addictions”, o diretor científico do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, sedeado em Lisboa, destacou à agência Lusa como uma "chamada de alerta" a conclusão de que chegou à Europa o problema dos opióides sintéticos de alta potência, que nos Estados Unidos é "uma enorme crise de saúde pública".
 
Paul Griffiths destacou ainda o interesse de vários países pela legalização da canábis, uma realidade que os leva a olhar para Portugal e para a sua “política sobre o uso de substâncias equilibrada e orientada para a saúde pública”.
 
O responsável afirmou que o “’boom’ da legalização [da canábis] tem sempre por trás a descriminalização dos consumos”, área em que Portugal tem sido “visto como modelo de sucesso”. 
 
Mas a legalização total traz “problemas que começam a surgir”, como por exemplo, modelos de consumo que podem constituir “riscos para terceiros”.
 
“Por exemplo, ouvimos falar de pizzas ou bolos de canábis. E se ficam numa mesa e uma criança os consome? Há coisas para as quais ainda não estamos suficientemente preparados”, alertou.
 
Manuel Cardoso defendeu que, seja qual for a dependência, o foco científico e político deve estar “na pessoa” e “não na substância”. “São pessoas que precisam de ajuda, é preciso encontrar uma forma de ajudar aquela pessoa que precisa, ou por ser dependente ou por a dependência lhe criar problemas de inserção, sociais ou de outro tipo”, afirmou.
 
Afirmou ainda que é “importante descriminalizar” os consumos. “Para resolver os problemas, tem que se ir muitíssimo mais longe, numa intervenção integrada”.
 
“Não é porque é heroinómano ou um jogador compulsivo que uma pessoa vai ser abandonada, até porque todos os comportamentos aditivos têm uma raiz comum, em termos biopsicológicos”, indicou.

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Referência
Encontro “Lisbon Addictions”

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