Olfato humano ajuda a desvendar crimes violentosNotícias de Saúde

Segunda, 09 de Março de 2015 | 61 Visualizações

Fonte de imagem: Foto:© Universidade de Aveiro

Laura Alho, da Universidade de Aveiro (UA), descobriu que é possível identifcar um criminoso através do olfato. Uma das conclusões do estudo, divulgado esta semana, é de que é possível identificar corretamente cerca de 75 por cento dos agressores, contra os 45 a 60 por cento das identificações conseguidas através da visão.

Publicado na revista Plos One, o estudo de Laura Alho envolveu a participação de 80 voluntários, aos quais foram apresentados filmes constituídos por cenas reais de crimes, recolhidas por câmaras de segurança e viaturas policiais.

Durante o visionamento destes filmes, os participantes foram expostos continuamente a um dos odores corporais, previamente recolhidos pelos investigadores e 20 voluntários, informados de que aquele cheiro pertencia ao agressor.

Depois, e já numa segunda fase da investigação, foram invocados os procedimentos geralmente usados em trabalhos que envolvem testemunhos oculares, isto é, a presença ou ausência de odor-alvo nos alinhamentos de amostras dadas a cheirar aos voluntários. 

Os investigadores informaram os participantes de que o odor podia estar ou não presente no alinhamento. Por outro lado, a administração dos alinhamentos foi duplamente cega, ou seja, nem os participantes nem os investigadores sabiam qual era a condição que estava a ser realizada, foram outros aspetos que também se teve em conta.

Por fim, os participantes foram questionados sobre a qual dos cinco odores estiveram sujeitos durante o visionamento dos filmes. A maior parte dos participantes conseguiu acertar no cheiro em causa, explica a UA em comunicado enviado ao Boas Notícias.

“Os resultados revelaram que, quando o odor alvo estava presente [no alinhamento de cinco odores dados a cheirar aos participantes] o acerto na identificação foi de 75 por cento”, explica Laura Alho, citada pelo mesmo comunicado.

A investigadora acrescenta que, “quando o odor estava ausente, verificou-se uma grande percentagem de falsos positivos, sugerindo que o testemunho olfativo parece funcionar melhor quando o odor-alvo está presente no alinhamento”.

Para a investigadora, "cerca de 75 por cento dos individuos condenados [através de testemunhos oculares] foram-no injustamente", reforçando assim a ideia de que o olfato ajuda a identificar corretamente os criminosos.

Laura Alho ressalva que o testemunho olfativo deverá ser suficiente para chegar a um veredito, mas "comparado com outras modalidades sensoriais", poderá ser importante para se chegar a uma conclusão.

De acordo com o mesmo comunicado, este estudo apresenta os primeiros resultados experimentais a nível mundial que envolvem a identificação de odores corporais em contextos de crimes violentos.

Este trabalho, orientado por Sandra Soares, Carlos Fernandes da Silva e Mats Olsson, já saiu fora de portas, e neste momento, já existem algumas colaborações internacionais, nomeadamente com a investigadora Kate Houston, da Texas A&M International University (EUA), especialista em psicologia forense e colaboradora do FBI. 

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Referência
Universidade de Aveiro

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