Oito milhões nasceram por técnicas de reprodução desde a primeira bebé-provetaNotícias de Saúde

Domingo, 23 de Junho de 2019 | 8 Visualizações

Fonte de imagem: Raising Children Network

Mais de oito milhões de bebés nasceram no mundo através de técnicas de reprodução assistida desde o nascimento de Louise Brown, a primeira bebé-proveta que comemorou agora 40 anos, anunciou a agência Lusa.
 
Louise Brown nasceu a 25 de julho de 1978 em Oldham, uma cidade no interior da Inglaterra, através de um método então inovador, a Fertilização In Vitro, desenvolvido pelo ginecologista Patrick Steptoe e pelo embriologista Robert Edwards, este último galardoado com o Nobel da Medicina em 2010.
 
O seu nascimento foi recebido com grande felicidade pelos pais, Leslie e John Brown, que durante nove anos tentaram, sem sucesso, uma gravidez, e foi notícia em jornais e televisões de todo o mundo. Muitas questões éticas foram levantadas na altura e em torno da técnica utilizada.
 
Desde então, já nasceram mais de oito milhões de bebés no mundo através das diferentes técnicas de procriação medicamente assistida, indicou um estudo. Os especialistas estimam que mais de meio milhão de bebés nasçam todos os anos fruto destas técnicas, de um total de dois milhões de tratamentos contra a infertilidade realizados anualmente.
 
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, Pedro Xavier, falou da importância para a medicina do nascimento do primeiro bebé-proveta e para os casais inférteis, que em Portugal são cerca de 300 mil.
 
“Olhando para trás considero que esse momento foi tão importante na medicina como o primeiro transplante cardíaco ou um procedimento dessa natureza, porque veio mudar a vida de milhões de pessoas, entre casais e crianças nascidas”, disse Pedro Xavier.
 
Para o médico, os tratamentos realizados por Patrick Steptoe e por Robert Edwards foram “marcantes e pioneiros” na sua abordagem. “Foram realizados com meios que hoje consideraríamos rudimentares face à evolução que a ciência teve nesta área nestes 40 anos”, mas no essencial os conceitos mantêm-se.
 
Este avanço na ciência também foi “uma resposta a muitos céticos” que olhavam para a investigação e para a abordagem destes dois cientistas com alguma desconfiança. “Foi uma resposta de incrível impacto pelo seu sucesso, mostrando que era possível chegar ao objetivo de ajudar os casais a ter filhos por meio de uma ciência muito diferenciada”, ao mesmo tempo que ajudou a “quebrar alguns tabus” sobre o nascimento destas crianças.

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