O que sucede às crianças que recuperam do autismo?Notícias de Saúde

Sábado, 16 de Março de 2019 | 7 Visualizações

Fonte de imagem: autism

Um novo estudo indicou que a grande maioria das crianças que conseguem recuperar do transtorno do espetro autista (TEA) apresenta problemas que requerem apoio psicológico e educacional.
 
O autismo costumava ser considerado uma doença vitalícia. Porém, ao longo dos últimos anos, vários estudos demonstraram que é possível uma criança conseguir recuperar de um diagnóstico de TEA. 
 
Para a sua investigação, uma equipa de investigadores do Colégio de Medicina Albert Einstein e do Sistema de Saúde Montefiore, EUA, analisou os processos clínicos de 569 crianças que tinham sido diagnosticadas com TEA, entre 2003 e 2013. 
 
A mediana de idades das crianças na altura do diagnóstico inicial era de dois anos e meio, tendo sido acompanhadas até uma mediana de idades de seis anos e meio. 
 
A grande maioria das crianças tinha recebido uma combinação de terapia da fala e de terapia ocupacional, educação especial e o método conhecido como Análise Comportamental Aplicada.
 
No decorrer do acompanhamento, 38 crianças (7% das 569 crianças) deixaram de apresentar os critérios para um diagnóstico de TEA. 
 
Destas 38 crianças, 68% foram diagnosticados com problemas de linguagem e de aprendizagem; 49% foram diagnosticadas com distúrbios de externalização (défice de atenção, hiperatividade, distúrbio de conduta ou perturbação desafiante de oposição); 24% apresentaram distúrbios de internalização (ansiedade, distúrbios de humor, transtorno obsessivo-compulsivo ou mutismo seletivo); 5% foram diagnosticadas com um problema mental significativo.
 
Apenas três (8%) das 38 crianças recuperaram do TEA sem outros problemas. Testes cognitivos de acompanhamento efetuados a 33 das crianças não demonstraram incapacidade intelectual.
 
“É certamente encorajador confirmar que um subgrupo de crianças com diagnóstico precoce de TEA, acompanhado por atrasos no desenvolvimento, pode essencialmente recuperar da doença e adquirir as funções sociais e cognitivas típicas”, comentou Lisa Shulman, investigadora principal do estudo. 
 
“A mensagem do nosso estudo é que algumas das nossas crianças têm resultados extraordinários, mas a maioria apresenta dificuldades persistentes que requerem monitorização e apoio terapêutico constante”, concluiu a autora.

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Referência
Estudo publicado na revista “Journal of Child Neurology”

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