O que nos faz ser altruístas com o nosso parceiro romântico?Notícias de Saúde

Sexta, 15 de Fevereiro de 2019 | 3 Visualizações

Fonte de imagem: openDemocracy

Uma equipa de investigadores explorou a genética e atividade cerebral subjacente aos comportamentos altruístas para com o parceiro romântico nos humanos.
 
A equipa da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, EUA, descobriu que as vias relacionadas com o apego noutros animais também se aplicam aos humanos e poderão estar envolvidas nos nossos comportamentos altruístas. 
 
Bianca Acevedo e colegas recrutaram casais recém-casados para analisarem a influência de fatores genéticos e atividade cerebral sobre a empatia demonstrada pelo parceiro romântico. 
 
Cada participante foi testado relativamente a duas variantes genéticas: uma envolvida na sensibilidade à oxitocina (a “hormona do amor”, ligada à empatia, apego e confiança) e outra envolvida na sensibilidade à vasopressina (associada a comportamentos de apego entre um casal). 
 
Seguidamente, os participantes responderam a um questionário sobre os sentimentos para com o parceiro e outras pessoas, o que permitiu que os investigadores medissem os níveis gerais de empatia e altruísmo em relação ao seu parceiro romântico. 
 
Os participantes entraram depois numa máquina de ressonância magnética funcional para terem as alterações no fluxo sanguíneo medidas. Desta forma, a equipa pôde observar a ativação de diferentes partes do cérebro dos participantes perante vários estímulos.
 
A equipa mostrou a cada participante imagens do seu parceiro romântico, amigos e estranhos com expressões faciais felizes e tristes. Sempre que os participantes sentiam uma enorme empatia pela pessoa da imagem, ativavam-se regiões do cérebro associadas às emoções e memórias emocionais. 
 
Aquelas áreas do cérebro, como a amígdala e o paládio ventral, possuem concentrações bastante densas de recetores de oxitocina e de vasopressina, que estão implicados, como se viu, na empatia e altruísmo. 
 
A equipa observou ainda que as regiões do cérebro que se ativavam especificamente perante o rosto do parceiro de cada participante eram as mesmas que noutros animais se mostram cruciais nos estudos sobre o vínculo e o apego entre pares. Isto sugere que os nossos cérebros possuem vias específicas para comportamentos de apego, que poderão ser bastante antigas. 
 
“É importante que pensemos sobre estes sistemas e estes comportamentos para além do romance”, comentou Bianca Acevedo. “Para além do amor romântico, vivemos longas vidas juntos. Muitos de nós criam filhos juntos ou cuidam um do outro até uma idade avançada”, que são outras das razões importantes para nos juntarmos com outrem, concluiu a investigadora. 

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Referência
Estudo publicado na revista “Behavioral Neuroscience”