O fim da dor crónica para breve?Notícias de Saúde

Quinta, 15 de Março de 2018 | 21 Visualizações

Fonte de imagem: eCentreClinic

Uma equipa de investigadores descobriu o mecanismo subjacente à incidência e continuação da dor neuropática.
 
A dor neuropática é uma doença crónica debilitante e calcula-se que afete cerca de 7 a 8% da população. Atualmente não existe um tratamento eficaz para a doença; é feita uma utilização “off-label” de fármacos como antidepressivos e antiepiléticos, mas só se verifica uma redução significativa da dor em menos de 50% dos pacientes, com o risco de importantes efeitos secundários.
 
Este tipo de dor é provocado por uma lesão nos nervos periféricos devido a doenças como o cancro, diabetes, zona ou trauma por acidente ou procedimento cirúrgico. 
 
O estudo que foi conduzido por investigadores do Instituto de Neurociências de Montpellier, da Universidade de Montpellier e pelo Laboratório de Inovação Terapêutica da Universidade de Estrasburgo, França, descobriu, além do mecanismo subjacente à dor neuropática, um tratamento inovador que proporcionou efeitos terapêuticos imediatos, significativos e prolongados sobre a dor.
 
Os investigadores descobriram, em ratinhos, uma nova função desempenhada pela molécula conhecida como FTL3 na dor crónica. Esta molécula está envolvida em diferentes funções do sangue e é produzida pelas células estaminais hematopoiéticas que geram todas as células do sistema sanguíneo.
 
A equipa conseguiu demonstrar que as células imunitárias sanguíneas, que irrigam o nervo no local da lesão, sintetizam e libertam outra molécula conhecida por FL. A molécula FL liga e ativa a FLT3, desencadeando uma reação em cadeia no sistema sensorial e causando dor. Foi ainda observado que a molécula FLT3 induz e mantém a dor através da atuação sobre outros componentes do sistema sensorial que tornam a dor crónica.
 
Após a descoberta daquela função da FLT3, a equipa criou uma molécula anti-FLT3, denominada BDT001, para atuar no local de ligação da FL. Esta molécula que foi criada através de uma análise informática de três milhões de configurações possíveis, bloqueia a ligação entre as moléculas FL e FLT3, evitando os eventos em cadeia que levam à dor crónica.
 
A molécula foi testada em animais e demonstrou reduzir os sintomas típicos da dor neuropática, como a hiperalgesia e a alodínia, no espaço de três horas e os efeitos permaneceram durante 48 horas após uma única dose.

 

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Referência
Estudo publicado na revista “Nature Communications”