O “bullying” afeta a saúde mental da criança; mas durante quanto tempo?Notícias de Saúde

Quarta, 11 de Outubro de 2017 | 4 Visualizações

Fonte de imagem: Huffingtonpost

As consequências negativas do “bullying” na infância têm tendência a desaparecer com o tempo, sugere um estudo recente.
 
O “bullying” sofrido na infância pode causar na vítima consequências graves no seu bem-estar e saúde mental, refletidos em sintomas como depressão, ansiedade e experiências semelhantes a psicoses. Torna-se assim importante perceber como afeta a criança e por quanto tempo.
 
O estudo efetuado por investigadores de várias instituições liderados por Jean-Baptiste Pingault, da Universidade College London, Inglaterra, procurou dar resposta àqueles dois fatores, de forma a possibilitar a definição de intervenções adequadas a casos de “bullying”.
 
A equipa decidiu basear o seu estudo sobre os efeitos do “bullying” e duração dos mesmos em gémeos, de forma a controlar o impacto de ambientes partilhados e de fatores genéticos.
 
Para a sua investigação, a equipa contou com dados recolhidos do Estudo do Desenvolvimento Inicial dos Gémeos (“Twins Early Development Study”), entre 2005 e 2013, e que abrangia 11.108 gémeos. Os participantes tinham, em média, 11 anos de idade na altura da primeira avaliação, e 16 na altura da última avaliação. 
 
Os investigadores avaliaram os níveis de ansiedade, impulsividade, depressão, hiperatividade, falta de atenção, problemas de conduta e experiências do tipo psicótico nas crianças quando aquelas tinham 11 e 16 anos de idade.
 
Como resultado, a equipa confirmou que sofrer “bullying” na infância causava ansiedade, depressão e experiências semelhantes a psicoses. No entanto, aqueles sintomas diminuíam ou desapareciam com o passar do tempo.
 
A ansiedade, por exemplo, permanecia até dois anos, mas eram inexistentes cinco anos mais tarde. Os pensamentos paranoides e desorganizados (espécies de psicoses) tendiam a desvanecer cinco anos após o “bullying”.
 
Apesar de este estudo apresentar algumas limitações, os investigadores consideram que se deve trabalhar preventivamente com as crianças de forma a que aquelas aumentem a sua resiliência caso sejam vítimas de “bullying” pelos colegas.

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Referência
Estudo publicado na “JAMA Psychiatry”