Novos avanços sobre a libertação de moléculas envolvidas em doenças inflamatóriasNotícias de Saúde

Quarta, 29 de Novembro de 2017 | 9 Visualizações

Fonte de imagem: Medical Xpress

Num estudo recente publicado na revista científica “Cell Reports”, uma equipa de investigação liderada por Colin Adrain, do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), Portugal, descobriu o mecanismo que controla a libertação de moléculas que despoletam a resposta inflamatória no caso de infeção.
 
Quando esta maquinaria é desregulada pode contribuir para importantes doenças crónicas, como é o caso da doença inflamatória intestinal, artrite e cancro.
 
A maior parte das proteínas envolvidas na comunicação entre células reside na superfície da célula, presa à membrana. É o caso da molécula inflamatória, TNF. Quando esta molécula é libertada da membrana liga-se a um recetor na superfície das células, ativando uma cascata de eventos que alteram o comportamento da célula, preparando-a e ao tecido que a rodeia para combater a infeção. No entanto, numa série de doenças inflamatórias a TNF encontra-se desregulada, sendo assim alvo de várias estratégias terapêuticas.
 
“As terapias para doenças anti-inflamatórias focam-se no bloqueio da ação da TNF; embora as terapias anti-TNF que estão atualmente a ser usadas para tratar pacientes, nem sempre funcionem eficientemente. Se conseguirmos compreender a maquinaria que controla a libertação da TNF talvez consigamos identificar novos alvos que nos permitam intervir de uma forma mais específica, ou mais potente, em doenças inflamatórias”, explica Colin Adrain.
 
Neste trabalho, a equipa de Adrain foi capaz de dissecar os mecanismos moleculares envolvidos na libertação da TNF. Sabia-se que estas moléculas são cortadas da superfície da célula por uma enzima denominada por TACE que atua como uma “tesoura molecular” para libertar a TNF e outras moléculas importantes da célula. Agora, os investigadores observaram que a chave para controlar estas “tesouras” encontra-se na regulação de uma proteína chamada iRhom2. “Isto coloca a iRhom2 no centro da maquinaria que regula a libertação da TNF das células”, diz Miguel Cavadas, primeiro autor deste estudo.
 
Uma importante caraterística deste novo mecanismo identificado é que a mesma proteína, iRhom2, é importante para controlar a libertação de fatores de crescimento que desencadeiam o crescimento das células associado a muitos cancros epiteliais. 

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Referência
Resultado de uma investigação do Instituto Gulbenkian de Ciência