Nova vacina para a malária eficaz em ensaio clínicoNotícias de Saúde

Terça, 14 de Fevereiro de 2017 | 10 Visualizações

Fonte de imagem: US News & World Report970

A Organização Mundial de Saúde conta que que, só em 2015, 214 milhões de pessoas foram infetadas e, aproximadamente, 438,000 morreram com malária.

Investigadores da University of Tübingen em colaboração com a Sanaria Inc. demonstraram, num ensaio clínico, que a nova vacina para a malária, Sanaria, é 100% eficaz quando avaliada 10 semanas depois de administrada a última dose.

Para o estudo, foram usados parasitas de malária providenciados pela Sanaria. A vacina incorpora patogénicos de malária complemente viáveis – e não enfraquecidos ou inativos – juntamente com medicação para combatê-los. Os resultados foram publicados na última edição da Nature.

Os parasitas da malária são transmitidos através da mordida das fêmeas dos mosquitos Anopheles. O parasita Plasmodium falciparum é responsável pela maioria das infeções da malária e por quase todas as mortes causadas pela doença em todo o mundo. A maioria das vacinas testadas anteriormente envolviam o uso de moléculas individuais encontradas na patogénica. Contudo, estas eram incapazes de fornecer a imunidade suficiente para a doença.

O estudo contou com 67 adultos saudáveis, sem qualquer histórico de malária. A melhor reposta de imunidade observou-se num grupo de nove pessoas que receberam a dose mais alta da vacina três vez com intervalos de quatro semanas. No final do estudo, todos os nove estavam 100% protegidos da doença.

“Esta proteção é causada provavelmente pela resposta de T-lymphocytes específicos e anti-corpos aos parasitas no fígado”, explicou o Professor Peter Kremsner do Institute of Tropical Medicine and the German Center for Infection Research (DZIF). Os investigadores analisaram as reações imunes do corpo e identificaram padrões de proteína que farão com que haja melhorias na vacina para a malária.

Os investigadores injetaram parasitas da malária nas cobaias, ao mesmo tempo prevenindo o desenvolvimento da doença, adicionando cloriquina – que tem sido usada para tratar a malária durante muitos anos. Esta situação não permitiu a exploração do comportamento dos parasitas e as propriedades da cloriquina.

Uma vez infetada com o vírus, o parasita Plasmodium falciparum vai para o fígado, onde se reproduz. Durante este período de incubação, os sistema imunitário pode responder, mas nesta fase, a patogénica não faz com que a pessoa fique doente. Além disso, a cloriquina não tem qualquer efeito no fígado – então não é capaz de prevenir que os parasitas se reproduzam. A malária só sai quando a patogénica sai do fígado, entrando na corrente sanguínea, onde se continua a reproduzir e a espalhar. No entanto, assim que a patogénica entra na corrente sanguínea, pode ser atacada pela cloriquina.

“Ao vacinar com uma patogénica completamente ativa, parece-me claro que somos capazes de ter uma resposta imunitária muito forte”, disse o líder da Investigação, Benjamin Mordmüller. “Adicionalmente, todos os dados que temos indicam que temos aqui uma proteção relativamente estável de longa duração”. O próximo passo é testar o efeito da vacina durante vários anos.
  
Bibliografia:  Benjamin Mordmüller, Güzin Surat, Heimo Lagler, Sumana Chakravarty, Andrew S. Ishizuka, Albert Lalremruata, Markus Gmeiner, Joseph J. Campo, Meral Esen, Adam J.
Ruben, Jana Held, Carlos Lamsfus Calle, Juliana B. Mengue, Tamirat Gebru, Javier
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MingLin Li, Phil L. Felgner, Robert A. Seder, Thomas L. Richie, B. Kim Lee Sim, Stephen L. Hoffman & Peter G. Kremsner: Sterile protection against human malaria by chemoattenuated PfSPZ vaccine, Nature, DOI: 10.1038/nature21060

 

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