Neurónios na amígdala aumentam com a idade adulta, exceto em autistasNotícias de Saúde

Sexta, 23 de Março de 2018 | 190 Visualizações

Fonte de imagem: Columbia University Medical Center

Uma equipa de investigadores descobriu que as crianças com um desenvolvimento normal ganham mais neurónios na amígdala, uma região do cérebro que controla os comportamentos sociais e emocionais, à medida que entram na idade adulta.
 
No entanto, o mesmo não se parece verificar com as autistas. As crianças com autismo apresentam demasiados neurónios na amígdala nos primeiros anos de vida, mas parecem perdê-los à medida que se tornam adultos, observou a equipa do Instituto Davis MIND da Universidade da Califórnia, EUA.
 
A amígdala consiste num pequeno grupo de 13 regiões em formato amendoado e funciona como detetor de perigo no cérebro para regular a ansiedade e interações sociais. As disfunções na amígdala estão associadas a várias doenças psiquiátricas e relacionadas com o desenvolvimento neurológico como o transtorno do espectro autista (TEA), esquizofrenia e doença bipolar.
 
“A amígdala é uma estrutura do cérebro única no sentido em que cresce substancialmente durante a adolescência, mais do que outras regiões do cérebro, à medida que nos tornamos socialmente e emocionalmente maduros”, disse Cynthia Schumann, autora sénior do estudo. “Qualquer desvio desta via normal do desenvolvimento pode influenciar profundamente o comportamento humano”.
 
Para perceberem os fatores celulares subjacentes ao desenvolvimento da amígdala, a equipa analisou 52 cérebros, normais e com TEA, de pessoas falecidas, com idades que variavam entre dois e 48 anos de idade.
 
Os investigadores verificaram que nos indivíduos com um desenvolvimento neurológico típico, o número de neurónios aumentava em mais de 30% da infância para a idade adulta. Pelo contrário, nas crianças pequenas com TEA, o número de neurónios decrescia à medida que a idade avançava.
 
Cynthia Schumann não sabe se o facto de, nos casos de autismo, a existência de demasiados neurónios nos primeiros anos do desenvolvimento estará relacionada com a perda dos mesmos numa fase posterior. “No entanto, com o tempo, aquela atividade constante poderia desgastar o sistema e conduzir à perda de neurónios”, disse a investigadora.
 
A equipa considera que se perceberem a forma como as células mudam durante a adolescência na amígdala, poderá ser possível intervir e tratar sintomas como ansiedade que se desenvolve nos autistas e outras doenças psiquiátricas e neurológicas.

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Referência
Estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”