Morte de células cerebrais na doença de Alzheimer é benéficaNotícias de Saúde

Domingo, 30 de Dezembro de 2018 | 14 Visualizações

Fonte de imagem: The Week

Cientistas do Centro Champalimaud concluíram, numa experiência com moscas-da-fruta, que a morte de neurónios na doença de Alzheimer é benéfica, ao contrário do que se pensava, ao eliminar dos circuitos cerebrais neurónios disfuncionais.
 
Segundo apurou a agência Lusa, as moscas-da-fruta foram geneticamente modificadas para reproduzir os sintomas da doença de Alzheimer humana, neste caso para expressarem no seu cérebro a proteína beta-amiloide que forma placas no cérebro dos doentes.
 
Segundo uma das investigadoras, Christa Rhiner, citada em comunicado da Fundação Champalimaud, as moscas transgénicas apresentavam "perda de memória de longo prazo, um envelhecimento acelerado do cérebro e problemas de coordenação motora, que pioravam com a idade".
 
Quando Dina Coelho, primeira autora do estudo, bloqueou a morte de neurónios no cérebro das moscas, estas "desenvolveram problemas de memória e coordenação motora ainda piores, morreram mais cedo e o seu cérebro deteriorou-se mais depressa".
 
Em contrapartida, quando acelerou a morte dos neurónios, em que os mais aptos desencadeavam o “suicídio” dos mais disfuncionais, as moscas que expressavam a proteína beta-amiloide associada à doença de Alzheimer recuperaram.
 
"As moscas comportavam-se quase como moscas normais no que diz respeito à formação de memórias, ao comportamento locomotor e à aprendizagem", sustenta Christa Rhiner no mesmo comunicado, que salienta que a recuperação ocorreu quando os insetos já estavam muito afetados pela doença.
 
O estudo sugere que a morte de neurónios "é benéfica porque remove dos circuitos cerebrais os neurónios afetados por agregados tóxicos de beta-amiloide, e que manter esses neurónios disfuncionais é pior do que perdê-los", defende o investigador Eduardo Moreno, que também participou na investigação.
 
Para os autores do estudo, os resultados poderão ter implicações no tratamento da doença de Alzheimer, uma vez que, de acordo com Eduardo Moreno, "algumas substâncias experimentais" que bloqueiam substâncias inibidoras da morte celular, acelerando a morte de neurónios, "existem e estão a ser testadas".
 
O comunicado da Fundação Champalimaud lembra que a tese que tem prevalecido sobre a doença de Alzheimer é que a morte de neurónios "é responsável pelo caos cognitivo" gerado pela doença, e não, como aponta o novo estudo, "um mecanismo protetor" que "tenta proteger o cérebro da acumulação de neurónios disfuncionais".

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Referência
Estudo publicado na revista “Cell Reports”

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