Microbioma intestinal afeta a ação da medicação para diabetesNotícias de Saúde

Quinta, 10 de Janeiro de 2019 | 19 Visualizações

Fonte de imagem: Karina Ucceli

Um novo estudo sugere que as bactérias que coabitam no nosso sistema digestivo poderão determinar o processamento dos medicamentos para a diabetes pelo nosso organismo.  
 
Uma equipa de investigadores do Complexo Médico Wake Forest Baptist, em Winston-Salem, EUA, efetuou uma meta-análise a 103 estudos conduzidos em roedores e humanos, com o objetivo de apurar o impacto do microbioma intestinal sobre a ação dos fármacos para a diabetes no organismo.
 
“Podemos ter duas pessoas que tomam o mesmo fármaco e consomem a mesma alimentação, mas a sua glicose no sangue não é controlada de forma semelhante porque há micróbios diferentes no sistema gastrointestinal”, disse Hariom Yadav, autor sénior principal deste estudo.
 
Os autores do estudo explicaram que os fármacos para a diabetes exercem um impacto sobre o microbioma intestinal e sobre a sua atividade metabólica e vice-versa. Por isso, acrescentam, perceber as dinâmicas deste diálogo cruzado entre fármaco e microbioma pode oferecer melhores resultados terapêuticos no tratamento da diabetes. 
 
Hariom Yadav sublinhou que alguns fármacos funcionam muito bem se forem administrados por via intravenosa, como a insulina, por exemplo. Se, no entanto, administrarmos a insulina por via oral, poderá não atuar de todo.
 
Por outro lado, a metformina, um fármaco comum no tratamento da diabetes, interage com o microbioma intestinal. “O microbioma ajuda a metformina a atuar se for administrada por via oral. Se for administrada por via intravenosa não diminui os níveis de glicose no sangue”, explicou o investigador.
 
No entanto, os efeitos secundários da metformina, como diarreia e náuseas, podem ser intoleráveis. Os investigadores disseram estar a estudar os efeitos adversos do fármaco para ver se a toma de um prebiótico poderá melhorar a tolerância da metformina.
 
A acarbose é outro fármaco para a diabetes que interage com o microbioma. O fármaco faz atrasar a digestão e absorção intestinal de certos hidratos de carbono. Isto significa que o fármaco afeta a fonte alimentar do microbioma. Segundo a equipa, a acarbose contribui, de forma significativa, para recuperar o desequilíbrio no microbioma nos pacientes com diabetes de tipo 2.  
 
“O microbioma pode-nos ajudar. É bom saber o que fazem os micróbios ao nosso organismo e dar-lhes os alimentos corretos. Em geral, uma dieta maioritariamente rica em fibra agrada mais ao microbioma”, disse Hariom Yadav.

 

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Referência
Estudo publicado na revista “EBioMedicine”

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