Menopausa e alzheimer podem estar relacionadosNotícias de Saúde

Terça, 07 de Novembro de 2017 | 81 Visualizações

Fonte de imagem: New River Women's Health

Um estudo indica que a menopausa desencadeia alterações metabólicas cerebrais associadas à doença de Alzheimer.

Os investigadores apuraram que em comparação com as mulheres na pré-menopausa, as que estão em perimenopausa e na pós-menopausa apresentaram hipometabolismo cerebral na tomografia por emissão de pósitrons com 18F-fluorodeoxiglicose nas mesmas regiões do cérebro que os pacientes com doença de Alzheimer clínica.

Numa noticia do Medsacpe, os autores do estudo consideram que parece haver um “risco progressivamente maior de um endofenótipo de doença de Alzheimer em mulheres na transição da perimenopausa à menopausa, e sugerem que o envelhecimento endócrino supera os efeitos do envelhecimento cronológico no cérebro feminino vários anos, senão décadas, antes de possíveis sintomas clínicos surgirem”.

O trabalho, publicado online no periódico PLOS One, avaliou a “bioenergética” cerebral em 43 mulheres saudáveis, cognitivamente normais, sem diabetes, em diferentes estágios de transição endócrina: 15 mulheres na pré-menopausa como controle (média de idade, 47 anos), 14 na perimenopausa (média de idade, 50 anos) e 14 mulheres na pós-menopausa (média de idade, 57). Com exceção das diferenças na idade, os grupos foram comparáveis em relação à demografia, história familiar de Alzheimer e distribuição do genótipo APOE4.

A CMRglc (sigla em inglês para taxa metabólica cerebral de consumo de glicose) estava reduzida em “regiões DA-vulneráveis” tanto em mulheres na perimenopausa quanto na pós-menopausa em comparação com mulheres na pré-menopausa. Essas regiões DA-vulneráveis incluíam o giro do cíngulo posterior e o córtex parietotemporal e frontal. Uma redução na CMRglc foi correlacionada com um declínio na atividade da COX mitocondrial (P < 0,001).

Houve um efeito de gradiente, de forma que as anormalidades bioenergéticas foram mais pronunciadas em mulheres na pós-menopausa. Tais anormalidades se deram em grau intermediário nas mulheres na perimenopausa, e foram menores nas mulheres em pré-menopausa (P < 0,001).

Os resultados foram independentes de idade, educação e genótipo APOE. Além disso, as mulheres na perimenopausa e na pós-menopausa apresentaram escores mais baixos em testes de memória padrão do que as mulheres na pré-menopausa.

TRH e antioxidantes seriam a solução?

“Esses resultados validam resultados pré-clínicos anteriores e indicam a emergência de déficits bioenergéticos em mulheres na perimenopausa e na pós-menopausa, sugerindo que a janela de oportunidade ideal para intervenção terapêutica em mulheres é no início do processo de envelhecimento endócrino”, observam os investigadores.

Os resultados “fornecem evidências críticas para mudanças precoces no envelhecimento do cérebro feminino que são relevantes para o risco duas vezes maior de doença de Alzheimer ao longo de vida”, disse a pesquisadora sênior Roberta Diaz Brinton, da University of Arizona Health Sciences, em Tucson, no comunicado à imprensa.

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