Meditação melhora memória e aprendizagemNotícias de Saúde

Terça, 11 de Novembro de 2014 | 101 Visualizações

A prática de apenas oito semanas de meditação de atenção plena é suficiente para desencadear alterações físicas no cérebro e aumentar as regiões deste órgão associadas à memória, à aprendizagem, à autoperceção e ao controlo do 'stress', concluiu um estudo norte-americano. 

Embora a investigação, coordenada por Sara Lazar, cientista do Hospital Geral de Massachussets (MSG), nos EUA, tenha já três anos, voltou, recentemente, a merecer a atenção da imprensa internacional, uma vez que se trata do primeiro estudo de sempre a documentar as mudanças induzidas, ao longo do tempo, por este tipo de meditação ao nível da massa cinzenta. 

Para chegar a estas conclusões, Lazar e os colegas analisaram a estrutura cerebral de 16 voluntários através de ressonâncias magnéticas antes e depois da sua participação num programa de redução do 'stress' por intermédio da meditação de atenção plena com duração de oito semanas. 

Os participantes receberam gravações destinadas à prática guiada de meditação de atenção plena - uma espécie de meditação que se foca numa consciência das sensações, dos sentimentos e do estado de espírito sem julgamentos - e foi-lhes pedido que registassem por quanto tempo a praticavam diariamente.

Simultaneamente, os cientistas submeteram também a ressonâncias magnéticas os elementos de um grupo de controlo que, durante o mesmo período de tempo, não praticou em nenhuma ocasião esta atividade. 

"Apesar de a prática da meditação estar associada a um sentido de paz física e relaxamento, quem a pratica defende, há muito tempo, que também proporciona benefícios cognitivos e psicológicos que se mantêm ao longo do dia", afirma, em comunicado, a coautora do estudo publicado na revista científica "Psychiatry Research: Neuroimaging".

Segundo Sara Lazar, "esta investigação demonstra que as mudanças na estrutura do cérebro podem estar associadas a estes benefícios e que as pessoas não se sentem melhor apenas por passarem tempo a relaxar". 

Prática reduz 'stress' e facilita memória e aprendizagem

Os voluntários do grupo que praticou meditação dedicaram, em média, 27 minutos por dia aos exercícios de atenção plena, observando-se, nestes indivíduos, um aumento da densidade de massa cinzenta no hipocampo - relacionado com a memória e a aprendizagem - e em estruturas ligadas à autoperceção, compaixão e introspeção.

Além disso, estes exercícios provaram ser vantajosos na diminuição do 'stress', ao reduzirem a concentração de massa cinzenta na região da amígdala, que desempenha um papel fundamental nos sistema nervoso e na ansiedade. Nenhuma destas alterações se observou no grupo de controlo.

"É fascinante observar a plasticidade do cérebro e o facto de, através da meditação, podermos desempenhar um papel ativo nas alterações produzidas neste órgão e melhorar o nosso bem-estar e qualidade de vida", sublinha Britta Hölzel, cientista lemã do MGH e da Universidade de Giessen, na Alemanha, que também integrou a equipa de investigação.

De acordo com Hölzel, "outros estudos em diferentes amostras de população já mostraram que a meditação pode trazer melhorias ao nível de uma grande variedade de sintomas" e a equipa está agora empenhada em "investigar os mecanismos do cérebro que facilitam estas mudanças".

Clique AQUI para aceder ao estudo (em inglês).

Partilhar esta notícia
Referência
Estudo publicado na revista científica "Psychiatry Research: Neuroimaging"

Notícias Relacionadas