Médico que concebeu criança com três pais afirma que técnica tem interesse mundialNotícias de Saúde

Quinta, 28 de Dezembro de 2017 | 11 Visualizações

Fonte de imagem: Baby

O objetivo desta técnica de substituição mitocondrial foi evitar a transmissão de uma doença genética, neste caso a síndrome de Leigh, de cujos genes a mãe era portadora.

John Zhang é um especialista em medicina da reprodução que em 2016 foi notícia após a revista científica britânica New Scientist ter anunciado o nascimento do primeiro bebé do mundo concebido com o ácido desoxirribonucleico (ADN) de três pessoas: do pai e da mãe e de uma dadora. O anúncio foi feito a 27 de setembro, quando Abrahim Hassan já tinha cinco meses de idade.

Após vários abortos e de perder dois filhos, o casal oriundo da Jordânia procurou ajuda na clínica de John Zhang que se dedica à medicina da reprodução.

O especialista explicou à Lusa a técnica que usou, recorrendo à imagem de um ovo, no qual a ‘gema’ (núcleo) contém o ADN que codifica os traços expressados (cabelo, olhos, altura, etc.).

“Também há ADN na ‘clara de ovo’ (mitocondrial), que codifica a forma como o corpo funciona, como os músculos crescem, a respiração dos pulmões, o funcionamento do cérebro, etc”, referiu.

Para retirar a doença do ADN mitocondrial, a equipa transferiu a ‘gema do ovo’ da mulher do casal para uma ‘clara de ovo’ de uma doadora, ao qual tinha sido removida a ‘gema’.

Tal foi possível graças a “um impulso elétrico especialmente cronometrado para causar a fusão celular, através do qual a ‘gema do ovo’ da doente se ligou à clara da dadora”, disse.

Para John Zhang, a técnica exige “uma habilidade excecionalmente alta no laboratório”.

“São necessários equipamentos especializados e um tempo preciso para provocar uma fusão celular bem-sucedida. É igualmente importante conseguir remover o máximo de ADN saudável, o que pode ser complicado”, prosseguiu.

O especialista adiantou que, por esta ser uma nova técnica, não há escola que possa assegurar uma preparação adequada para este trabalho.

“De facto, só existem algumas pessoas selecionadas no mundo que podem fazer este trabalho. Além disso, é mais caro para o laboratório fazer isso do que fertilização ‘in vitro’ tradicional”, referiu.

Além da criança concebida através da técnica aplicada por John Zhang, nasceu uma outra elaborada pela equipa do médico Valerie Zukin, na Ucrânia, que usou a mesma técnica, mas com algumas alterações.

Questionado sobre as doenças que este procedimento poderá evitar, o especialista apontou um conjunto de patologias mitocondriais, entre as quais a miopatia mitocondrial, a diabetes mellitus e a surdez, a neuropatia ótica hereditária de Leber, neuropatia, ataxia, retinite pigmentosa e ptose.

John Zhang ressalvou que, para já, ainda se desconhece se esta terapia de substituição mitocondrial funcionará para todos estas doenças.

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Referência
Lusa

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