Medicamento da Universidade de Tulane eficaz contra a maláriaNotícias de Saúde

Sábado, 16 de Setembro de 2017 | 9 Visualizações

Fonte de imagem: Telangana Today

Investigadores da Universidade de Tulane, EUA, desenvolveram um novo medicamento que é eficaz nos casos não complicados de malária, de acordo com os resultados de um ensaio clínico supervisionado pela FDA (Food and Drug Administration) e publicados na revista “The Lancet Infectious Diseases”.  
 
Os resultados são relevantes uma vez que os especialistas em saúde pública avisam desde há muito que o parasita responsável pela maior parte dos casos de malária, Plasmodium falciparum, está a desenvolver resistências aos tratamentos usados em grande escala. São necessários novos medicamentos para criar defesas secundárias contra estirpes do parasita resistentes aos medicamentos.
 
A droga, chamada AQ-13, demonstrou ter a capacidade de eliminar numa semana o parasita responsável pela doença, igualando a eficácia dos regimes de tratamento usados mais frequentemente.
 
“Os resultados do ensaio clínico são extraordinariamente encorajantes”, disse Donald Krogstad, autor principal e professor de medicina tropical na Faculdade de Saúde Pública e Medicina Tropical da Universidade de Tulane. “Comparando com o tratamento de primeira linha atualmente recomendado para a malária, o novo medicamento resulta muito bem”.
 
Os mosquitos infetados por um parasita propagam a malária, afetando mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo e provocando mais de 400.000 mortes todos os anos. Durante décadas, usou-se a cloroquina para combater a malária, mas o Plasmodium faciparum desenvolveu resistência a esse medicamento. Agora, o tratamento primário da malária é feito com uma combinação de medicamentos – a arteméter e a lumefantrina – apesar de em alguns países já se estar a registar uma resistência a esta combinação. 
 
Os investigadores recrutaram 66 homens adultos no Mali com malária não complicada, que é definida como malária que não é fatal. Metade dos homens foram tratados com AQ-13 e a outra metade com a arteméter e lumefantrina. Os dois grupos tiveram taxas de cura semelhantes. Contudo, cinco participantes no grupo AQ-13 deixaram o estudo ou perderam o seguimento e dois participantes no grupo arteméter/lumefantrina manifestaram um insucesso tardio com o tratamento e uma recidiva das suas infeções originais.  
 
Os investigadores esperam alargar o teste da droga a novos participantes, incluindo mulheres e crianças, antes de ele poder ser recomendado como um novo tratamento. Krogstad afirmou que a mesma biotecnologia que ajudou a equipa a desenvolver o novo medicamento identificou outros medicamentos semelhantes que são igualmente promissores contra parasitas resistentes a medicamentos.
 
“As implicações potenciais a longo prazo são maiores do que um único medicamento”, afirmou ele. “O passo conceptual que foi dado é o de que, se compreendemos suficientemente bem a resistência, pode ser possível desenvolver também outros medicamentos. Nós sintetizámos mais de 200 análogos e, desses, 66 atuavam contra os parasitas resistentes”. 

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