Manipulação da flora intestinal afetada pela genética do indivíduoNotícias de Saúde

Sexta, 11 de Novembro de 2016 | 12 Visualizações

Fonte de imagem: U-Farm - Dein urbanes Gartencenter

O sucesso das terapias que manipulam a flora intestinal, incluindo os probióticos, prebióticos e antibióticos, é afetado pela genética, dá conta um estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”.

Através de experiências realizadas em três estirpes de ratinhos, os investigadores do Centro Joslin Diabetes, nos EUA, constataram que a administração de antibióticos em animais produziu efeitos muito diferentes nas floras intestinais, assim como na sensibilidade à insulina, inflamação dos tecidos e funções metabólicas relacionadas como níveis de glucose, e que estes eram dependentes da genética de cada um dos ratinhos.

C. Ronald Kahn, um dos autores do estudo, refere que estes achados sugerem que algumas pessoas são geneticamente mais suscetíveis ao impacto do microbioma que outras e os tratamentos que o tentam alterá-lo irão fazer toda a diferença em apenas em alguns indivíduos.

Na opinião do investigador, a compreensão destes fatores genéticos pode ter um papel importante na previsão da utilidade de futuras terapias contra a obesidade e contra a doença metabólica.

Entre as três estirpes de ratinhos utilizadas, uma era mais propensa à diabetes e obesidade, a segunda apenas à obesidade e na terceira os animais não eram propensos a nenhuma das duas condições. Os ratinhos foram alimentados com uma dieta rica em gordura, aumentando assim a possibilidade de desenvolvimento das duas condições. Posteriormente, foram administrados dois antibióticos que têm efeitos diferentes na flora intestinal.

O estudo apurou que nos ratinhos propensos à obesidade e diabetes, o tratamento com qualquer um dos antibióticos para além de ter modificado as floras intestinais também melhorou o seu metabolismo, diminuiu os níveis de glucose, reduziu a inflamação dos tecidos e aumentou a sinalização da insulina. Contudo, nas outras duas estirpes as alterações na flora intestinal não conduziram a estes efeitos benéficos.

Os cientistas também verificaram que os ratinhos respondiam de forma diferente às alterações no metabolismo do ácido biliar. Os ácidos biliares são moléculas secretadas pelo fígado para o intestino, e que ajudam na absorção de gorduras. Adicionalmente, as bactérias no intestino alteram quimicamente os ácidos biliares em formas que são reabsorvidas na corrente sanguínea e ajudam a responder à inflamação.

O estudo constatou que o impacto dos antibióticos no metabolismo do ácido biliar variou entre as três estirpes, o que explica, em parte, as diferenças observadas na inflamação dos tecidos, na sinalização da insulina e outras funções metabólicas.
Através destes modelos animais os investigadores demonstraram que existe uma associação entre a alteração do microbioma e alterações na inflamação, que contribuem para a resistência à insulina.

Os investigadores estão a levar a cabo um estudo mais detalhado para averiguar como os ácidos biliares e outros metabolitos estão envolvidos no controlo do metabolismo.

C. Ronald Kahn conclui que quando se compreender melhor estes mecanismos, os investigadores poderão prever melhor que pacientes irão responder melhor aos tratamentos que têm por alvo a flora intestinal.

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Referência
Estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”